Lobby do aço fracassa no Senado dos EUA
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segunda-feira, 21 de junho de 1999
Por Monica Yanakiew 
Washington, 22 (AE) - O poderoso lobby siderúrgico dos Estados Unidos sofreu uma derrota hoje. O Senado retirou da sua pauta de votação uma proposta, aprovada pela Câmara dos Deputados, que criaria cotas para o aço importado. Na prática, a legislação reduziria as compras do produto no exterior pela metade.
"O projeto-de-lei das cotas teve tão pouco apoio que dificilmente será incluído novamente na pauta de votação do Senado", explicou Russel Smith, um advogado que representa os interesses de países exportadores, como o Brasil. Os defensores da proposta precisavam de 60 votos para começar a debatê-la e só obtiveram 42, apesar das pressões dos empresários e sindicatos do setor siderúrgico em plena campanha para as eleições presidenciais do ano 2000.
Mas segundo Smith, "ainda não foi dita a última palavra". Existem outros projetos-de-lei no Congresso americano que ajudam a proteger o setor siderúrgico. Entre eles, uma proposta modificando as leis anti-dumping, que facilitaria a abertura de processos contra países, acusados de exportarem seus produtos para os EUA a preços inferiores àqueles praticados no mercado de origem ou aos custos de produção.
A legislação criando cotas foi derrotada em parte por causa das pressões do próprio governo. Os secretários do Comércio, William Daley, e do Tesouro, Robert Rubin, alertaram aos parlamentares que a proposta, além de violar as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), poderia desencadear uma onda de retaliações, afetando as exportações americanas de outros produtos.
Mas o grande argumento para convencer os políticos foi dado pelas indústrias que utilizam aço, como os fabricantes de automóveis: eles empregam 8,3 milhões de pessoas (40 vezes mais que os trabalhadores das usinas siderúrgicas e 40 vezes mais votos). Economicamente tampouco valia a pena adotar uma legislação, internacionalmente condenada como protecionista.
De 1997 para 1998 - quando os EUA foram inundados por aço barato de países atingidos pela crise financeira, cujas moedas foram desvalorizadas - as importações americanas aumentaram de US$ 13 bilhões para US$ 15 bilhões. Em compensação
as exportações do produto, no ano passado, foram de US$ 228 bilhões.
Mesmo sem cotas, nem uma nova legislação anti-dumping, o setor siderúrgico já avançou muito na proteção de seu setor. Levou o governo a iniciar processos contra as importações de laminados a quente do Brasil, da Rússia e do Japão. Antes mesmo de o governo americano anunciar que aplicaria tarifas para compensar o "dumping", praticado pelos três, e os subsídios concedidos pelos brasileiros, as exportações desses países caíram mais de 90%.
Ontem Daley anunciou que iniciará outros 16 processos contra 12 países, entre eles o Brasil. Desta vez será para investigar "dumping" nas exportações de laminados a frio, que segundo o setor siderúgico americano mereceriam tarifas adicionais de 223%. "Os argumentos, neste caso, são menos fortes do que no dos laminados a quente", disse Smith. Mas as investigações em si já provocam danos, porque os importadores preferem esperar os resultados antes de fechar um negócio.


