Lobby de 25 empresas possibilitou acordo entre Dixie e governo paulista
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2000
Por Rita Tavares 
São Paulo, 24 (AE) - Por trás da vitória do governador Mário Covas na guerra fiscal, com o acordo assinado na semana passada entre o Estado e a empresa de embalagens plásticas Dixie Toga, que abriu mão de incentivos fiscais concedidos pelo Paraná
há um lobby profissional de uma associação de 25 empresas de pequeno e médio porte. Nos últimos três meses, o lobby buscou uma saída para o que considerava "concorrência desleal" da Dixie. Antes de pedirem uma solução ao Estado, as empresas cogitaram a mudança para o Paraná ou Goiás, em busca de incentivos.
O personagem central da articulação foi Synésio Batista da Costa, presidente da Abrinq desde 1995, que foi contratado por essas empresas para presidir a Abraflex (Associação Brasileira dos Fabricantes de Embalagens Laminadas), há cerca de 18 meses. Articulador habilidoso, mas também explosivo e ruidoso
Costa conseguiu prorrogar até 2003 a salvaguarda que protege a indústria nacional de brinquedos contra os importados. É do tipo que diz o que pensa, como quando, na cerimônia de posse, do ex-ministro Celso Lafer, disse que preferiria "um quebrador de louças" para o cargo.
"Sou um executivo pago para operar. Fiz meu papel", disse Costa. Nacionalista ferrenho, ele atribuiu "ao seu profissionalismo" o acordo que beneficiou a Abraflex. "Eu tinha um problema, uma solução e uma contrapartida", disse, referindo-se aos incentivos dados a Dixie, sua busca por incentivos e a ameaça de sair de São Paulo. Em novembro, os associados da Abraflex, que nada mais é do que uma dissidência da Associação Brasileira da Indústria de Embalagens, comandada pelo presidente do Conselho de Administração da Dixie Toga, Sérgio Haberfeld, decidiram entrar na guerra fiscal. Procuraram, em primeiro lugar, o governo do Paraná, atrás dos mesmos incentivos dados a Dixie Toga em 1998.
Oito empresas cogitaram a mudança. Costa, em seguida, procurou o Secretário da Indústria, Comércio e Desenvolvimento de São Paulo, José Aníbal, que soube da articulação do setor. Antes de terem uma conversa com Covas na primeira semana de dezembro no Palácio dos Bandeirantes, Costa viajou a Goiás para checar os incentivos dados pelo Estado. Os empresários pediram incentivos, mas Covas recusou e soube que eles já estudavam a mudança para o Paraná ou Goiás. "Se São Paulo quer paz, vai ter de fazer a guerra", propôs Costa ao governador. Dias antes de Covas anunciar o decreto que impugna créditos fiscais, com base lei complementar 24 de 75, Costa voltou a falar com o governador
por telefone, dizendo que a Abraflex, que faturou R$ 1 bilhão em 99, queria logo uma definição.
A partir do decreto, a Dixie Toga soube que seus clientes poderiam ter de pagar ao Estado de São Paulo o ICMS que não fora recolhido pela empresa no Paraná. Costa, que afirma estar conversando com Haberfeld desde o início da articulação, disse ter sugerido o acordo entre a empresa e o Estado, para acabar com o impasse e a briga no setor.


