A Polícia Militar faz um dos mais fortes lobbies no Congresso Nacional. Para aprovar a emenda constitucional que cria um regime jurídico específico para os militares na comissão especial da Câmara, as Forças Armadas recorreram ao poder de influência dos coronéis-lobistas da PM para obter os votos necessários. O preço negociado foi a inclusão, na emenda, de um dispositivo que torna as Polícias Militares instituições ‘‘regulares e permanentes’’. O resultado foi surpreendente: dos 23 deputados, apenas 2, do PT, votaram contra a proposta.
O deputado José Genoíno (PT-SP) foi um dos que lutaram na comissão para impedir que as PMs fossem incluídas na emenda proposta para mudar as Forças Armadas. ‘‘Fiquei desesperado lá, sem saber para onde correr’’, contou o petista, lembrando-se do dia da votação do parecer. ‘‘Ouvi deputado chamar oficial lá dentro de ‘meu comandante’ ’, completou.
Esta foi a mais recente demonstração da força que a Polícia Militar tem dentro do Congresso, embora na Câmara apenas um parlamentar já tenha pertencido aos quadros da corporação - o líder do PTB e ex-capitão da PM de Minas Gerais, Paulo Heslander (MG). Entretanto, são muitos outros exemplos de vitórias das polícias em votação de matérias de seu interesse. Episódios marcantes foram registrados nas votações dos projetos de lei do deputado Hélio Bicudo (PT-SP), propondo a unificação das polícias civil e militar e desqualificação da Justiça Militar para julgar qualquer tipo de crime praticado por policial.
Por meio de seus representantes, a PM conseguiu evitar a aprovação do projeto de unificação e impediu a vitória da segunda proposta do PT. Neste último caso, o líder do PTB foi figura fundamental nas negociações com o PMDB e PFL, para derrubar o projeto de Bicudo, embora tivesse sido anunciado um acordo em torno da proposta. Um dia antes da votação, no primeiro semestre, um acerto preparado pelo líder Paulo Heslander já deixara garantida a indicação de novo relator no plenário - o deputado Marcelo Barbieri (PMDB-SP) -, quando o projeto entrasse em discussão, para dar novo formato à proposta.
O novo relatório restringiu a proposta de Bicudo. ‘‘Hora nenhuma bloqueamos a votação, mas não aceitávamos o projeto Bicudo como ele queria, porque o deputado é fissurado na idéia de acabar com a Polícia Militar sem apresentar alternativas’’, defendeu-se Heslander. O líder petebista é um dos principais representantes da PM dentro da Câmara. Com Heslander, os deputados Abelardo Lupion (PFL-PR), Hélio Rosas (PMDB-SP) e Werner Wanderer (PFL-PR) fazem o eixo principal do lobby das polícias militares. Heslander não gosta do rótulo, mas reconhece a força da corporação: ‘‘Sem a concordância da PM, é difícil passar algum projeto ali na Câmara’’. Wanderer foi o relator da PEC dos militares e Lupion será o presidente da comissão especial da Câmara que vai discutir a segurança pública.

mockup