São Paulo, 2 (AE) - O panorama econômico semanal do Lloyds Bank prevê déficit em torno de US$ 800 milhões para a balança comercial de janeiro. Esse resultado, porém, é bem diferente da previsão do banco para o ano, que é de um superávit superior a US$ 3 bilhões. "Depois do déficit de US$ 6,4 bilhões, em 98, a desvalorização cambial mais a desaceleração econômica interna devem permitir ao Brasil chegar a um superávit superior a US$ 3 bilhões no ano", prevê.
O estudo do Lloyds observa que, como já havia ocorrido com praticamente todos os países que tentaram ampliar a banda cambial, está havendo um "expressivo overshooting" na desvalorização. "As perspectivas de parte do mercado eram de que o BC atuaria vendendo dólares para conter esse processo, mas como isso não ocorreu, gerou-se uma pressão maior sobre as cotações", explica. O risco embutido nessa evolução, porém, segundo o banco, está atrelado aos prováveis impactos inflacionários, que acabariam limitando a possibilidade de "volta" da cotação do real. Para isso, dizem os analistas do Lloyds, o governo terá que manter a política monetária austera no curto prazo. Além disso, lembra, a demanda por dólares no primeiro semestre deste amo deve ser elevada (US$ 8,6 bilhões de vencimento de eurobônus ante os US$ 6,6 bi do segundo semestre e os US$ 3,7 bi do primeiro semestre de 98).
Para o Lloyds, a partir de fevereiro, poderão ser observados alguns impactos da desvalorização sobre os preços, principalmente no setor atacadista, que tende a responder de forma mais rápida e acentuada às mudanças do câmbio.

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