Lloyds prevê inflação de 1,60% para fevereiro
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 1999
por Milton F.da Rocha Filho 
São Paulo, 23 (AE) - O panorama semanal da economia brasileira do Lloyds Bank mostrou que seus economistas acreditam em uma inflação de cerca de 1,60% no mes de fevereiro. Salienta a análise: "As primeiras prévias da inflação de fevereiro já mostram os impactos iniciais da desvalorização sobre os preços. Após a alta de 0,75% na 1a. quadri do IPC-Fipe de fevereiro (o core inflation subiu de 0,14% para 0,55% no mesmo período), as estimativas são de que a próxima quadri volte a registrar crescimento".
Ainda sobre inflação a análise do Lloyds ressalta: "A notícia de que o governo pretende reajustar os combustíveis é ruim (apesar de necessária sob a ótica fiscal), visto que este item possui um peso grande dentro dos índices".
Diz o estudo do Lloyds que "para a reunião entre os governadores e o presidente FHC (dia 26 de fevereiro), as expectativas são de que o governo federal não ceda as pressões dos mesmos (principalmente em função das metas junto ao FMI), porém, alguma solução intermediária deverá ser adotada pela União, procurando evitar qualquer comprometimento da base de sustentação do governo federal".
Salienta ainda que no Congresso Nacional, a retomada dos trabalhos legislativos deverá se dar com a sabatina de Armínio Fraga, na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. As expectativas são de que a sabatina ocorra em um ambiente um pouco tenso, dada a ligação de Fraga com George Soros e os comentários feitos por Paul Krugman, sobre possíveis ganhos de Soros com negociações envolvendo títulos da dívida externa brasileira. Mesmo assim, o nome de Armínio Fraga deverá ser aceito para a presidência do Banco Central.
Percebe-se, que o momento político-econômico é muito delicado, as perspectivas de aumento no desaquecimento econômico
juntamente com maiores taxas de desemprego e aumento da inflação, serão pontos de deterioração da popularidade do presidente FHC. Logo, o presidente não pode se deixar levar por esse tipo de constatação e tem que se manter fiel às necessidades atuais de austeridade monetária e fiscal".
O estudo do Lloyds diz também que a condução da política monetária não sofreu alterações nestas últimas semanas, com o BC mantendo a taxa de juros elevada no interbancário (39% aa) de modo a evitar novas deteriorações cambiais. A expectativa do mercado, vem girando em torno do novo acordo entre o país e o FMI, sobretudo com relação as metas a serem estabelecidas. Os indícios até agora mostram que novamente será estabelecida uma meta fiscal, sobretudo com aumento no superávit primário (que não inclui as despesas com os serviços da dívida pública). Outro ponto que ganha importância neste novo acordo, será a determinação de uma meta inflacionária para o ano, de modo a evitar um quadro de deterioração do processo de estabilização. O Lloyds conclui: "Assim, assume-se que no curto prazo, provavelmente, ainda se verificará a continuidade de taxas de juros elevadas, de maneira a evitar maiores pressões sobre os preços. A tempo: o IBGE divulgou na última semana os dados preliminares do PIB de 98, mostrando um crescimento muito baixo, 0,15%, da economia brasileira (o pior desempenho desde 1992). No último trimestre do ano, a economia novamente apresentou forte recuo (-1,89%) quando comparada a igual período de 97. As expectativas são de desacelerações ainda mais fortes ao longo do primeiro semestre de 99".
Sobre a política cambial, diz o estudo do Lloyds: "A ausência de atuações por parte do Banco Central, continua levando o mercado cambial a apresentar movimentos aleatórios, mas a tendência até o momento continua sendo de depreciação da moeda. Os vencimentos de eurobônus em fevereiro foram elevados e devem manter-se assim nos meses de março (algo próximo a US$ 1,9 bi) e abril (US$ 2,0 bi), sendo fonte de pressões sobre a taxa de câmbio neste período. Com relação a balança comercial, os resultados até o momento permanecem ruins, refletindo as dificuldades na obtenção de linhas de crédito para o setor.
Assim, as exportações diárias continuam apresentando um forte recuo, algo em torno de 16% em relação a igual período do ano passado. Quanto nas importações, a tendência de queda permanece (-19,4%), neste caso, devido a forte retração da economia. Os efeitos da desvalorização cambial sobre as contas externas, só deverão se fazer sentir mais intensamente a partir do 2o. trimestre, com a melhora das exportações e um recuo ainda maior das importações".


