Lloyd's espera postura moderada do Copom
São Paulo, 19 (AE) - O Lloyds Bank afirma que o mercado vem adotando uma postura mais moderada em relação à posição a ser adotada pelo Copom na reunião do próximo dia 28. Hoje parece predominar a expectativa de que haverá uma queda pequena na taxa Selic. Se nos primeiros seis meses do ano a taxa Selic foi reduzida em 24 pontos percentuais (pp), no segundo semestre a queda deverá ser de algo em torno de 3 a 4 pp, o que leva a uma média mensal inferior a um ponto.
A avaliação é do economista-chefe do Lloyds Bank, Odair Abate, na publicação semanal "Cenários - Economia e Finanças", que traça perspectivas para o mercado interno. O Lloyds espera para o segundo semestre uma atuação mais firme do governo, tanto com relação às votações no Congresso quanto ao andamento dos projetos de governo.
Veja abaixo a íntegra do boletim do Lloyds Bank.
Política - A efetivação da mini-reforma ministerial ficou dentro das expectativas. A distribuição dos ministérios entre os partidos da base aliada manteve o equilíbrio existente anteriormente. Porém, pode-se notar que a nova equipe ganhou um caráter um pouco mais técnico. Ou seja, apesar de manter a participação dos partidos aliados, o presidente Fernando Henrique conseguiu nomear ministros mais próximos às suas diretrizes, do que propriamente às dos partidos. As principais mudanças foram: a) Ministério da Agricultura, sai Francisco Turra e entra Pratini de Moraes; b) Justiça, entra José Carlos Dias no lugar de Renan Calheiros; c) Integração Nacional (antiga Secretária de Políticas Regionais), fica com Fernando Bezerra no lugar de Ovídio de ¶ngelis; d) Ciência e Tecnologia, entra Ronaldo Sardenberg, sai Bresser Pereira; e) Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Clóvis Carvalho substitui Celso Lafer. O destaque das alterações ficou por conta da nomeação de Pedro Parente para a Casa Civil. Com fácil mobilidade entre as diversas lideranças partidárias, haja visto seu bom desempenho durante as negociações das dívidas estaduais, Parente mostra-se uma boa opção para a coordenação política. Com isso, espera-se para o 2º semestre uma atuação mais firme do governo, tanto com relação às votações no Congresso quanto ao andamento dos projetos de governo. Em tempo: pesquisa CNT/Vox Populi, apresentou nova queda na popularidade de F.H.Cardoso, 53% dos entrevistados consideram seu governo péssimo/ruim (eram 51% em maio), contra 12% que o consideram ótimo/bom (15%). É o pior patamar de aceitação do presidente desde o início de seu governo. Inflação A primeira quadri do IPC-Fipe teve alta de 0,29%, ante deflação de 0,08%, em junho. A alta deu-se em função dos reajustes das tarifas de energia elétrica, telefone e combustíveis. Até o final do mês, o índice ainda incorporará o reajuste das tarifas de água e esgoto e das passagens interestaduais. Os produtos in natura saíram de -0,77% (junho) para -0,26% e, mesmo mostrando uma elevação mais moderada dos preços do que a observada no atacado, também deve ajudar a pressionar a inflação neste mês. Na verdade, os produtos agrícolas serão fundamentais para determinar a evolução da inflação não só neste mês, mas também ao longo do 2º semestre. Assim, as perspectivas são de que o IPC-Fipe em julho suba para 1,0%, mesmo com o vestuário saindo de 2,03% em junho para chegar ao redor de -3,3% este mês. Em tempo: o core inflation também captou a pequena bolha nos preços, passando de -0,17% e m junho para 0,01%, na 1a. quadri deste mês. Juros A percepção do mercado em relação aos juros básicos está mais conservadora. Há poucas semanas , antes da última reunião do Copom, grande parte das apostas apontavam para uma provável redução da taxa Selic de 22% para 20% aa. A queda de apenas um ponto foi vista, naquela época, como conservadora. No entanto, alguns fatos recentes demonstraram que a magnitude da retração foi coerente com o momento. Diante da alta, ainda que temporária
da inflação (variável principal a influenciar na política monetária) e com a existência de alguns receios externos, especialmente quanto as incertezas em relação a Argentina em um ano eleitoral, o mercado vem adotando uma postura mais moderada em relação à posição a ser adotada pelo Copom na reunião do próximo dia 28. Hoje parece predominar a expectativa de que haverá uma queda pequena na taxa Selic. Com o que concordamos. Na verdade, é sempre bom lembrar que o ritmo de queda das taxas a partir de agora, mesmo que prevaleça um cenário externo menos intranquilo, será bem inferior ao observado no 1º semestre. Enquanto que nos primeiros seis meses do ano a taxa Selic foi reduzida em 24 pontos percentuais (pp), no 2º semestre a queda deverá ser de algo em torno de 3 a 4 pp, o que leva a uma média mensal inferior a um ponto. Câmbio As Transações Correntes em junho apresentaram déficit de US$ 2,9 bilhões, mostrando pequena deterioração em relação ao mesmo mês de 98, quando o saldo negativo chegou a US$ 2,48 bi. Motivos principais: a) o saldo na balança comercial, que havia apresentado superávit de US$ 185 milhões em jun/98 teve déficit de US$ 144 milhões este ano; e b) o aumento do déficit na conta juros, que passou de US$ 1,4 bi em jun/98 para US$ 1,9 bilhão em jun/99. No entanto, no acumulado do 1o semestre, o comportamento das Transações Correntes foi melhor do que em igual período de 98, com o déficit caindo de US$ 13,4 bilhões para US$ 12,3 bilhões. Deve-se notar que boa parte do déficit vem sendo financiado via investimentos externos diretos, que em junho totalizaram US$ 2,3 bilhões, sem nenhum fluxo destinado a privatizações. No ano, esses investimentos já somam US$ 14 bilhões (dos quais US$ 5 bilhões de privatizações) e as perspectivas para os próximos meses continuam positivas de tal forma que 90%, aproximadamente, do déficit de US$ 23,5 bilhões, esperado para as Transações Correntes, possam ser financiadas com esses recursos. Em tempo: a balança comercial de julho acumula superávit de US$ 213 milhões até o dia 16. As importações vêm cedendo 25,4% frente a julho de 98, enquanto as exportações estão caindo 17,1% nessa comparação. Ações O desempenho do mercado acionário na última semana foi fortemente afetado pela crescente preocupação com a Argentina. As declarações do candidato governista E. Duhalde, de que poderia tentar renegociar a dívida externa do país, foram mal recebidas pelo mercado, afetando os preços dos papéis da dívida externa argentina e brasileira, além de gerar uma queda expressiva nas bolsas desses países. Porém, ao longo da semana, com o desmentido de Duhalde e as declarações do FMI de que estaria disposto a ajudar ainda mais a Argentina, caso necessário, o mercado teve uma pequena melhora nos demais dias da semana. O Ibovespa tem queda de 1,88% em julho (até o dia 16) e alta de 68% em 99.





