São Paulo, 9 (AE) - A análise semanal do Lloyds Bank sobre a economia nacional salientou que "os efeitos da maxidesvalorização do real só deverão se verificar mais intensamente a partir de março. Apesar da indefinição atual em relação ao ponto de equilíbrio do câmbio, as expectativas são de que as contas externas melhorem acentuadamente este ano".
Diz ainda que "o mercado cambial continua apresentando alta volatilidade no curto prazo. No início da semana, o dólar chegou a apresentar forte recuo (após todo o temor e especulação da 6ª feira, 5/2), com os negócios no mercado interbancário sendo feitos à taxa mínima de R$ 1,73 por dólar. Porém, a ausência de notícias mais favoráveis e a baixa entrada de divisas, fizeram com que as cotações fossem novamente pressionadas, e os negócios voltassem a ocorrer acima de R$ 1,80 por dólar".
Conclui também que "a saída natural de capitais (eurobônus e financiamentos de importações feitas no ano de 98) deverão ser ainda uma fonte de pressão sobre o real no curto prazo, uma vez que não se verifica ainda uma volta mais consistente das linhas externas para o Brasil. Diz ainda que a balança comercial apresentou déficit de US$ 754 milhões em janeiro (-US$ 663 em jan/98). A piora se deve à queda (21% na média diária) das exportações, refletindo os problemas de linhas de crédito do final de 98. As importações continuaram a mostrar forte recuo, refletindo o desaquecimento econômico".
INFLAÇÃO - Na sua análise sobre a inflação o cenário semanal do Lloyds disse que "na primeira semana de fevereiro, a cesta básica apresentou significativa alta de 2,7%. Tal movimento, já está refletindo algum efeito da desvalorização cambial e deve se acentuar ao longo do mês. No curto prazo, o aumento de preços é certo, dada a pressão de custos sobre os vários segmentos atingidos pela mudança no câmbio, sendo que o limite dessa alta será dado pela capacidade do mercado assimilar o aumento dos preços. Muito provavelmente, a forte desaceleração econômica que se espera para o País, servirá de freio a uma expansão descontrolada dos preços, a menos que o governo tenha um fraco desempenho no campo monetário e fiscal, permitindo a reindexação da economia".
De acordo com o Lloyds, " a inflação do 1o. semestre será alta (média de 2,5% am para IGP-M), mesmo com os juros elevados (inflação de custos), mas cederá no 2o. semestre, junto com a queda do nível de atividade e do poder aquisitivo da população. A inflação poderá, no entanto, retroceder a patamares inferiores a 1% am, desde que, repetimos, os mecanismos de indexação não sejam restabelecidos no País".
Após o entusiasmo inicial gerado pela nova política cambial, o mercado começa a assumir que, no curto prazo, será mantida uma postura conservadora em relação às taxas de juros.
E concluiu que " o comunicado conjunto governo/FMI, mostrou isso, indicando que a economia deve apresentar expressiva desaceleração este ano, impactando o resultado das empresas negociadas em bolsa. É certo que os baixos preços dos papéis, anteriormente à desvalorização, mais as expectativas de bom desempenho do setor exportador, são positivos. Mas, o resultado final para o mercado tem que ser analisado com muito cuidado. Em janeiro, o Ibovespa subiu 20,25% e, na primeira semana de fevereiro, 3,23%".

mockup