São Paulo, 14 (AE)- O Lloyds TSB no seu estudo semanal sobre a economia brasileira espera que o Conselho de Política Monetária do Banco Central, o Copom, na reunião de amanhã, confirme o atual patamar de juro básico em 19% ao ano , "com viés neutro, mesmo porque é preciso esperar os sinais de acomodação da inflação no início do ano que vem, antes de reiniciar uma nova, e muito mais gradativa, rota de declínio das taxas ao longo do próximo ano", destaca o estudo. "Iniciar esse processo agora poderia ser arriscado, apesar do melhor comportamento do câmbio nas últimas semanas. Novas quedas na Selic, portanto, dependem do arrefecimento dos índices atuais de inflação, assim como da expectativa futura da mesma".
Segundo a mesma pesquisa, "o mercado de juros futuro apresentou ligeiro recuo nas taxas ao longo da semana, apesar da preocupação ainda existente quanto a evolução da inflação nos próximos meses. É importante notar que os mercados nas últimas semanas vinha embutindo o risco crescente de possíveis correções pelo BC na taxa Selic a fim de contornar, se necessário, o problema inflacionário recente".
Sobre a inflação, o estudo diz que para o fechamento do mês com as chuvas no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, são boas as chances de se observar uma melhora no desempenho agrícola. "Até o momento não houve quebra de safra, mas perdas parciais, que variam de 20% a 35%. Assim, podemos trabalhar com um IPA-agrícola em torno de 4,5%, abaixo dos 5,42% de novembro. Com isso, o IGP-M encerraria o mês próximo a 1,82%, acumulando no ano alta de 20,1%. Em tempo: O IPCA de novembro ficou em 0,95%, abaixo dos 1,19% do mês anterior".
Ainda segundo a avaliação do Lloyds TSB "para dezembro, a queda deve ser um pouco menor, dado o reajuste nas tarifas de telefone de São Paulo. O índice deve ficar em torno de 0,8%, encerrando o ano em 9,1%. Para o início do ano 2000, é importante que o câmbio continue estabilizado, viabilizando uma sinalização positiva em relação aos dos índices ao consumidor".
Câmbio - Na sua análise do câmbio, o Lloyds TSB explicou que "o dólar até o último dia 10 recuou 2,9% frente ao real, voltando a ser negociado num patamar próximo a R$ 1,86. Alguns fatores podem estar colaborando para este movimento, entre eles: a) parcela dos vencimentos tiveram o câmbio fechado anteriormente; b) atuações do BC de certa forma diminui as incertezas; c) oferta de linha cambial pelo BC para a virada do ano, diminuindo possível escassez de linhas com o Bug e d) melhora nas expectativas externas com o Brasil, o que favorece o fluxo de capitais (bolsa, por exemplo)".
O estudo salienta que essa trajetória do câmbio é importante para reduzir pressões futuras sobre os índices de preços, sobretudo no atacado. A balança comercial em dezembro apresenta superávit de US$ 114 milhões até o dia 10. E ressalta que "o grande destaque fica por conta das exportações, que na média diária tem crescimento de 29,9% em relação a dez/98, confirmando a tendência de melhora verificada desde outubro. Por sua vez, as importações, pela primeira vez no ano, apresentam crescimento em relação ao mesmo mês de 98 (8,4%). De toda a forma, ao que parece, reforçam-se os indícios de melhora na balança comercial. O superávit esperado para o ano 2000 é da ordem de US$ 3,5 bilhões a US$ 4,0 bilhões".

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