Londrina – A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) apresentou ontem um ousado projeto de coleta e reciclagem de lixo, com objetivo de reduzir a zero o descarte de resíduos em Londrina. O investimento inicial giraria em torno de R$ 100 milhões, dinheiro que a administração municipal diz que não tem.
A proposta elimina uma terceirizada responsável pela coleta residencial de lixo. Esta empresa recebe hoje R$ 1,1 milhão por mês do órgão público. A medida seria norteada pela proposta dos 5 Rs (reutilizar, reciclar, retornar, reparar, reduzir).
Todo o material produzido pelos moradores seria recolhido por cooperativas de reciclagem e armazenado em 200 coletores suspensos espalhados pelos bairros da cidade. Os atuais ecopontos seriam substituídos por Postos de Entrega Voluntária (PEV), cujo funcionamento seria controlado por agentes públicos.
O lixo seria encaminhado para Centros de Processamento de Resíduos (CPR), verdadeiras usinas e distribuídas cada uma das quatro regiões de Londrina, onde seria segregado. A produção deve gerar renda extra para os catadores, que trabalhariam nas duas pontas do processo: recolhimento e triagem. A venda e a partilha do dinheiro ficariam a cargo da Central das Cooperativas.
A proposta foi idealizada porque apenas 5% das 600 toneladas de lixo produzidas por dia em Londrina são recicladas. "O que temos hoje é uma central de enterramento de resíduos. Minha capacidade de indignação é tamanha que não posso concordar com isso", lamentou o presidente da CMTU, Carlos Geirinhas.
O investimento previsto para implantação do projeto 'Lixo Zero' deve vir por meio de uma parceria público-privada (PPP). "As empresas interessadas vão atender o chamado Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI). Neste primeiro passo, a sociedade de uma forma geral (empresas, cooperativas etc.) vai mostrar qual a sua tecnologia e o custo da mesma. A tecnologia que não atender nossas necessidades serão alijadas do próximo passo, que seria efetivamente a licitação. Posso dizer que existem 'n' empresas interessadas nesse processo, seguramente será uma vitrine para o Paraná", disse.
Geirinhas argumentou que "tão logo as formalidades legais sejam entendidas, a empresa que ganhar o certame poderá implantar o sistema em seis meses."
A CMTU gasta atualmente cerca de R$ 2,7 milhões por mês no sistema de coleta e reciclagem de lixo. A companhia sinaliza agora que quer vender a energia produzida pelo gás metano liberado na Central de Tratamento de Resíduos, cujo valor estimado chegaria a R$ 1 milhão por ano.

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