Aquela casca de banana ou resto de comida que foi parar na lixeira poderia gerar muito dinheiro para o País. Pesquisa do matemático Luciano Oliveira, do Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais (IVIG), da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ), mostra que o lixo orgânico pode se transformar em fonte de energia elétrica. Hoje, o destino desses detritos é ainda o aterro sanitário, que polui as cidades e propaga doenças.
Segundo Oliveira, todo o lixo produzido pelo Brasil hoje, cerca de 20 milhões de toneladas por ano, seria suficiente para aumentar em 15% a oferta de energia elétrica. ‘‘Isso representa a metade da energia produzida pela Hidrelétrica de Itaipu.’’ O segredo está na celulignina, combustível sólido gerado a partir de um processo químico a que são submetidos os resíduos orgânicos.
A técnica, desenvolvida pela Faculdade de Engenharia Química de Lorena, junta-se à novidade estudada pelo IVIG: usar a celulignina como substituto do gás natural, do carvão e do diesel nas usinas termoelétricas do País. Para que isso ocorra é preciso que a substância seja assimilada no processo combinado de combustão. ‘‘Já passamos nos testes das turbinas a vapor e agora será a vez das turbinas a gás’’, diz Oliveira, cujo trabalho tem apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio (Faperj).
O pesquisador ressalta que a celulignina já se mostra economicamente viável, pois o retorno do investimento pode chegar a 41%. Com o gás natural, essa taxa fica em 28%. O estudo mostra que são extraídos do processamento do lixo orgânico 70% de celulignina e 10% de furfural, insumo usado na petroquímica com alto valor de mercado e que hoje é importado. Os 20% restantes são de lodo, utilizado como adubo.
A celulignina não é a única saída para a extração de energia do lixo. Pode-se fazer digestão acelerada, incineração ou ainda aproveitar o gás metano, que substitui a energia elétrica, encontrado em aterros sanitários. A incineração é inviável por causa do alto custo para evitar a emissão de gases tóxicos, enquanto o uso do metano esbarra na falta de espaço para novos aterros sanitários.

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