Londrina – O descarte incorreto de lixo hospitalar voltou a ser registrado em Londrina. Recicladores da Cooper Mudança encontraram seringas e agulhas com sangue em meio a bolsas de soros e outros objetos. A cooperativa não sabe indicar a origem dos materiais, mas informou que, como não faz a coleta de hospitais e unidades de Saúde do Município, desconfia de clínicas particulares.
O novo chefe da regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), em Londrina, Raimundo Maia Campos Junior, prometeu organizar uma força-tarefa para identificar hospitais, clínicas públicas e particulares que estejam desrespeitando a lei ambiental. "É uma infração gravíssima que expõe os trabalhadores a ferimentos e contaminação. Vamos trabalhar para identificar a origem", adiantou. No entanto, ele relatou dificuldades por conta da falta de funcionários. Campos adiantou que vai pedir reforço de servidores de outras regiões ao presidente do IAP para realizar a operação ainda nesta semana.
Os recicladores temem que o problema, que teve a fase mais crítica entre 2011 e 2012, tome grandes proporções novamente . "Sou nova na cooperativa e gosto do serviço, mas confesso que fiquei assustada quando vi as agulhas. É um risco imenso", denunciou a recicladora Marli Eufrásio, da Cooper Mudança. Sem luvas, ela se arrisca para separar as agulhas do restante que pode ser reaproveitado.
O presidente da Cooper Região, Zaqueo Vieira, informou que protocolou ofício na Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). Segundo ele, se algum cooperado encontrar objetos perfurocortantes em materiais de estabelecimentos públicos, a coleta será suspensa. "Além de o descuido ser inadmissível, é um crime ambiental. Todos têm que fazer sua parte", cobrou.
Segundo Gilmar Domingues, diretor de Operações da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), há tempos a autarquia vem recebendo denúncias relatando esse problema. Por isso, um procedimento interno já foi instalado para que uma coordenadoria interna da coleta seletiva tomasse providências. "As 36 UBS e seis hospitais foram oficiados para que se adequem com relação ao plano gerenciamento de resíduos de saúde. Todas as informações foram novamente repassadas a fim de esclarecermos e orientarmos os procedimentos", disse.
Conforme o diretor, além do perigo de perfuração pelo despejo irregular desse tipo de material, há o perigo de contaminação. "Paralelamente, mapeamos esses locais de saúde que serão fiscalizadas frequentemente." O local que despejar resíduo de saúde meio ao material reciclável poderá ser multado, primeiramente, pelo Código de Posturas do município, cujo valor vai de R$ 60 a R$ 3 mil. Em caso de reincidência, o valor pode chegar a R$ 50 milhões, por se enquadrar em crime ambiental. (Colaborou Marian Trigueiros)

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