Lixo estrangeiro polui litoral do PR
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terça-feira, 19 de julho de 2005
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O litoral paranaense está sendo contaminado por resíduos sólidos estrangeiros como embalagens de produtos alimentícios e até de inseticidas. Foi o que constatou a pesquisa feita pela bióloga Andressa Rutz Debiazio, entre agosto de 2004 e maio deste ano. Foram encontradas na área costeira da Ilha do Mel 148 tipos de embalagens produzidas em 42 diferentes países. Segundo o estudo, o lixo seria originário do descarte irregular dos navios que atracam nos portos de Paranaguá e Antonina. A ilha fica na rota de acesso das embarcações a esses terminais.
De acordo com a bióloga, as embalagens de produtos alimentícios (líquidos e sólidos) somam 76% do total levantado, com destaque para garrafas de água (42%). ''O fluxo de navios na região, a ausência de informações sobre o importador brasileiro e o estado de conservação das embalagens levam a crer que esses objetos foram descartados no mar, a partir de navios e outras embarcações, em data próxima à da coleta, infringindo diversas legislações ambientais internacionais'', advertiu Andressa.
A pesquisa, segundo Andressa, foi realizada em parceria com a organização não-governamental (ONG) Praia Local - Lixo Global, da Bahia. Trabalho semelhante já vem sendo feito em outros países da América Latina e África do Sul. A intenção da ONG é avaliar as condições do litoral, também, nas regiões portuárias de Santos e Rio Grande do Sul.
O propósito do trabalho é alertar os órgãos ambientais para a necessidade de uma fiscalização mais rigorosa da aplicação de planos de gestão de resíduos sólidos pelos portos brasileiros. ''Nenhum porto seguiu, até agora, a legislação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que dispõe sobre a destinação dos resíduos'', criticou. A bióloga acusa, ainda, a inexistência de serviço de limpeza e manutenção na Estação Ecológica da Ilha do Mel, que abrange 95% da superfície da ilha (cerca de 22 quilômetros).
Andressa reconhece que o problema do descarte irregular pode acontecer em alto-mar, escapando do controle dos órgãos ambientais ou da administração dos portos. Por essa razão, ela defende, também, um trabalho de conscientização junto aos marinheiros.
O próximo passo do trabalho da bióloga será fazer uma análise geral do efeito desses resíduos sobre o meio ambiente. Em uma avaliação preliminar, o maior impacto seria visual pelas embalagens expostas em meio a manguezais e nas praias. No entanto, um tipo de resíduo perigoso lançado, indiscriminadamente, no mar são os sinalizadores usados na pesca (mais comuns no litoral nordestino). Segundo Andressa, esse material contém substância cancerígena e quando chega às praias pode ser manuseado por crianças.


