Lixo da UFPR vai garantir energia
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quarta-feira, 30 de julho de 2003
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Até o final do ano, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) deverá estar gerando uma grande parte da energia elétrica consumida em seu maior campus, o Centro Politécnico. Um projeto de pesquisa do Departamento de Engenharia Mecânica da UFPR prevê o desenvolvimento de tecnologia para a geração de energia elétrica a partir de resíduos sólidos urbanos. O projeto inclui a instalação e operação de uma unidade com capacidade de processar até 5 toneladas por dia de lixo orgânico gerado pela poda de árvores e pelas cantinas e refeitórios do Centro Politécnico da universidade, localizado em Curitiba.
Segundo o professor Marcos Campos, coordenador do projeto, o processo consiste na gaseificação dos resíduos sólidos, a uma temperatura de 800 graus centígrados, transformando esse material em gás combustível. Numa segunda etapa, o gás é transformado em energia. A unidade a ser instalada no Centro Politécnico, o plano-piloto, operará com capacidade de geração diária de 33 kw por tonelada de lixo. Ou seja, terá uma potência contínua de 165 kw.
O projeto de pesquisa é fruto de uma parceria entre o Departamento de Engenharia Mecânica da UFPR, através da Fundação da Universidade Federal do Paraná (Funpar), Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (Cenpes) da Petrobras, a Financiadora de Estudos e Projetos do Governo Federal (Finep) e a Empresa Paranaense de Consultoria em Energia (Enercons), encarregada do projeto básico e executivo da planta-piloto.
''Nossa idéia é otimizar e não inventar'', disse o engenheiro Ivo Pugnaloni, superintendente técnico da Enercons e ex-diretor da Companhia Paranaense de Energia (Copel), lembrando que vários países usam processos semelhantes. A diferença é que com a planta-piloto serão estudados quais os resíduos sólidos mais adequados para gerar maior ou menor quantidade de gás e, consequentemente, de energia. Para isso, também está prevista a instalação de uma unidade de separação de lixo no local.
Os investimentos para a instalação da unidade e pesquisas estão estimados em cerca de R$ 380 mil. ''O custo da unidade é maior do que o de uma usina térmica, mas tem várias vantagens'', diz Soares. Além de geração de energia renovável, o processo constribui para a correta destinação do lixo urbano, minimizando o problema dos aterros nas cidades.
''Se todo lixo de Curitiba fosse transformado em gás através desse processo, a cidade seria auto-suficiente em energia elétrica para iluminação pública e para todos os prédios municipais'', ressalta Pugnaloni. Segundo Soares, Curitiba produz cerca de 2 mil toneladas de lixo por dia e é hoje o quinto maior consumidor da Copel. ''Para manter os prédios e iluminação pública seria necessária uma produção de 25 mil mw/hora, o correspondente a R$ 3 milhões por mês em energia'', estimou Soares.


