Londrina - ''Eles trouxeram o lixão para dentro da cidade.'' O técnico ambiental Fernando Goes define assim a situação de recicladores da Cooperativa dos Profissionais de Reciclagem de Londrina (Coocepeve) que flagrou nessa semana. Ele conta que viu na manhã de quarta-feira trabalhadores separando lixo reciclável de não reciclável na calçada da Rua Paraguai, na Vila Brasil (Centro), em frente ao barracão da cooperativa. ''Eu cheguei aqui (barracão na Vila Brasil) e estava tudo jogado na calçada, para o pessoal separar. Tinha até gato morto'', afirmou ele. Dias depois, a cena se repetiu em outro barracão da Coocepeve no Jardim Leonor (Zona Oeste).
Quem recolhe o lixo reciclável em 55 mil domicílios em Londrina e entrega nos sete barracões da Coocepeve é a Ecosystem, empresa contratada pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). Os recicladores reclamam que a empresa utiliza caminhões compactadores, que esmagam o lixo recolhido, danificam o material reciclável e dificultam a separação.
Segundo os recicladores é frequente a presença de material orgânico também. Parte da culpa seria da própria população.
Uma recicladora que trabalha no barracão da Rua Paraguai resume o problema: ''é difícil um caminhão que presta''. Já Dorival Cardoso, que toca o barracão no Jardim Leonor vai além: ''não existe mais reciclagem. Virou lixo''.
Conforme ele, os caminhões da Ecosystem quebram e misturam os produtos recicláveis como garrafas pets, galões, entre outros. Com isso, o material perde valor. ''Esse galão vendia por R$ 10. Agora (quebrado por causa do caminhão) vendo por R$ 0,60'', lamentou.
Segundo Cardoso, os caminhões simplesmente despejam todo o lixo na calçada e os recicladores precisam passar ''praticamente o dia todo separando aquilo que dá para reciclar''. Em média, metade da carga é aproveitada, mas com preço mais baixo. O restante é colocado novamente em frente ao barracão para ser recolhido e levado para a Central de Tratamento de Resíduos (CTR).
De acordo com o advogado da Ecosystem, Alexandre Sutkus, a empresa está cumprindo o que o contrato com a CMTU prevê: a utilização de caminhões compactadores. A reportagem buscou contato com a CMTU para explicar por que houve a opção pela utilização de caminhões compactadores, mas não houve retorno.
Durante o processo licitatório, no qual a Ecosystem foi contratada no início deste ano, a ONG Meio Ambiente Equilibrado (MAE) já havia entrado com uma ação para impedir a licitação por causa da exigência de caminhões compactadores.
Após a contratação da Ecosystem, a ONG questionou judicialmente a contratação da empresa por causa de supostos débitos trabalhistas. A partir daí uma confusão jurídica aconteceu. Inicialmente o juiz da 2 Vara da Fazenda impediu a contratação. No entanto, o Tribunal de Justiça deu liminar favorável à manutenção do serviço. Em seguida a Ong MAE entrou com um novo recurso. No início de maio, outra liminar do TJ exigiu a suspensão dos serviços. Apesar dessa decisão, a Ecosystem continua prestando o serviço.
De acordo com o advogado da empresa, o recurso da ONG MAE foi distribuído para outro relator do TJ, que não havia analisado o primeiro recurso do caso. ''Houve um equívoco de distribuição'', declarou. Por causa disso, Sutkus acredita que a primeira liminar continua valendo, apesar da segunda determinar a suspensão do serviço. Por outro lado, o entendimento do advogado da ONG Camillo Vianna é exatamente o contrário. A entidade aguarda que o TJ esclareça a questão.

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