São Paulo, 11 (AE) - Uma operação conjunta entre o Ministério Público Estadual (MPE) e a Polícia Civil apreendeu hoje dois computadores e dois livros de registros de serviços na sede da Associação dos Comerciantes do Brás, em São Paulo. Há suspeitas de que comerciantes da região pagavam propinas para fiscais da Administração regional da Sé, para retirada de camelôs das ruas do bairro.
Segundo o pomotor Roberto Porto, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECCO), há várias denúncias de que os donos de lojas pagavam uma "caixinha" semanal à Regional, para proibir o comércio ambulante nas ruas do Brás. A princípio, o valor da propina seria de R$ 1,5 mil a R$ 2 mil.
Baseados nas denúncias, os promotores deram entrada a um mandado de busca e apreensão no Departamento de Inquéritos Policiais (DIPO). À tarde, foram até à sede da Associação, onde apreenderam os computadores e os livros de registros de lançamentos financeiros. "É um material que vale a pena analisar", disse o promotor Porto.
No fim da tarde, os computadores foram enviados à Seccional Sul, onde os arquivos seriam decodificados. As informações coletadas nos computadores serão cruzadas com os depoimentos dos fiscais presos pelo titular da Seccional, Romeu Tuma Jr. Segundo o promotor Porto, há suspeita de que parte do dinheiro era destinado ao agora deputado Hanna Garib (PPB).
Os promotores estão analisando o inquérito policial das 17 pessoas presas por Tuma Jr. "Após análise podemos oferecer as denúncias para a abertura de processos", disse o promotor Porto. Amanhã, as testemunhas de acusação do fiscal Marco Antonio Zeppini, preso desde o dia 2 de dezembro do ano passado por tentar extorquir a comerciante Soraia da Silva, serão interrogadas pela juíza da 29ª Vara Criminal, Andréa Brandão. Zeppini foi interrogado na sexta-feira passada e afirmou que sua intenção era apenas ajudar a comerciante.
CPI - A votação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Administrações Regionais, foi adiada mais uma vez hoje
na Câmara Municipal. A sessão não ocorreu por falta de quórum. Apenas 13 vereadores registraram presença no plenário.
Eles querem deixar a CPI para depois do carnaval, para tentar desviar a atenção da mídia", reclamou o vereador José Eduardo Martins Cardozo (PT), autor do projeio da CPI. Apesar de apenas 13 parlamentares terem registrado a presença, pelo menos outros 10 foram vistos na ala reservada atrás do plenário e em seus gabinetes. Vários vereadores da bancada da situação já se declararam favoráveis à CPI, entre eles Salim Curiati Junior e Miguel Colasuonno, ambos do PPB.
Um dos motivos dos situacionistas não terem comparecido à votação seria o fato de não terem votos suficientes para rejeitar o pedido de Cardozo e tampouco a aprovação de outro pedido de CPI, elaborado pelo vereador Brasil Vita. A proposta de Vita é que a CPI comece apenas após as investigações do MPE sobre o escândalo dos fiscais.
"Porque o PT não quis aprovar CPIs para escândalos que aconteceram na administração da Luiza Erundina?", disse o vereador Wadih Mutran (PPB). Segundo ele, os colegas de bancada não apareceram, "provavelmente por causa do alagamento das marginais".
Enquanto os situacionistas fogem do plenário, a estratégia do PT é manter a discussão do assunto no plenário e na mídia, para conquistar a opinião pública. "Nossa única chance de aprovar a CPI é uma pressão da população em cima dos vereadores", raciocina Cardozo.

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