Livro revelará segredos do bombardeio de La Moneda
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quarta-feira, 25 de agosto de 1999
Por Gustavo González 
Santiago, 26 (AE-IPS) - Detalhes ainda desconhecidos do ataque aéreo contra o palácio presidencial de La Moneda em 11 de setembro de 1973 no Chile serão revelados por um de seus protagonistas num livro que será lançado às vésperas do 26º aniversário do sangrento golpe de Estado.
Foi vazado que em sua obra, o coronel retirado da Força Aérea do Chile (FACH) Mario López nega que pilotos americanos participaram do ataque que consumou a derrubada do governo de Salvador Allende (1970-1973).
López comandou, sob o codinome "Libra", a esquadrilha de seis caça-bombardeiros Hawker-Hunter que atacou La Moneda e outros focos de resistência ao golpe que colocou no poder até 1990 o general Augusto Pinochet.
As cenas do palácio presidencial envolto em fumaça e chamas, enquanto Allende se suicidava em seu gabinete, correram o mundo em 1973 e marcaram o fim de uma das democracias até então mais estáveis da América Latina.
O livro de López recorre a jargões militares para sustentar que não houve bombardeio de La Moneda, como é dito, mas um ataque aéreo, já que a rigor não foram lançadas bombas e sim foguetes nos vôos rasantes dos Hawker-Hunter.
A grande precisão do bombardeio do palácio colonial, rodeado por altos edifícios de ministérios e pelo tradicional Hotel Carrera, se deveu, segundo alguns investigadores, ao fato de os caças terem sido tripulados por pilotos americanos.
O escritor Gabriel García Márquez sustentou, por seu lado, que os Estados Unidos deram apoio técnico ao ataque, com informações de satélite enviadas às FACH desde a zona do canal do Panamá e de barcos ancorados em frente de Valparaíso.
O homem determinante na operação aérea foi o então comandante das FACH, o general Gustavo Leigh, principal mentor, junto com o chefe da Marinha, almirante José Toribio Merino, do golpe contra Allende.
Pinochet, que havia sido designado comandante do Exército por Allende em 23 de agosto de 1973, se rendeu ao golpe somente na última hora, de acordo com a maioria dos estudos sobre a história secreta da derrubada do presidente socialista.
Mas na história oficial do regime militar, para a qual contribuiu o ex-ditador com suas memórias e outros livros, Pinochet faz-se parecer como um conspirador contra Allende desde o início do governo da Unidade Popular em 1970.
Leigh, ao contrário, passou para a história como o primeiro golpista dissidente, logo que Pinochet o destituiu do comando das FACH em 1976, em vista de suas crescentes diferenças com o rumo político e econômico da ditadura.
López recebeu ordens diretas de Leigh para realizar as três missões da esquadrilha em 11 de setembro de 1973 e que incluíram, também, ataques à residência de Allende e à antena de transmissão da rádio Magallanes, do Partido Comunista.
Os Hawker-Hunter, caça-bombardeiros de fabricação britânica, foram adquiridos pelas FACH durante o governo de Eduardo Frei Montalva (1964-1970), pai do atual presidente Eduardo Frei Ruiz-Tagle.
Estes aviões prestaram serviço às FACH até 1995, quando foram uns desmontados e outros entregues ao Museu Aeronáutico do aeroporto militar de Cerrillos, a sudeste de Santiago.
Dois Hawker-Hunter foram transformados em monumentos, um na entrada do aeroporto e outro na Academia de Guerra das FACH, porque teriam participado diretamente no ataque a La Moneda.
A confirmação pode vir com o livro de López, já que a obra inclui, como adiantou-se, os números de matrículas dos aviões, assim como fotos até agora inéditas tiradas pelas FACH durante a operação contra La Moneda.
Os disparos de foguetes contra a sede presidencial abateram a heróica resistência que Allende fazia aos golpistas, acompanhado por um punhado de colaboradores e membros civis de sua escolta pessoal.
O palácio, projetado pelo arquiteto italiano Toesca durante a época colonial, foi reconstruído por Pinochet, que o reinaugurou em 11 de março de 1981, depois de declarar em vigor a Constituição aprovada em referendo em 1980.


