Rio, 12 (AE) - Um hotel tem sempre histórias e, no Copacabana Palace, no Rio, o mais famoso do Brasil, elas sobram. Foi lá que Janis Joplin viveu seu maior e derradeiro amor, em 1970. Xuxa despontou em 1980, num concurso de Pantera do Ano, realizado em seus salões. Em 1960, o senador Teddy Kennedy, foi barrado, quando tentava promover uma festa particular com três moçoilas que havia conhecido num inferninho de Copacabana. E os príncipes de Gales, Edward (que depois renunciaria ao trono por amor a uma mulher divorciada) e George (avô do príncipe Charles)
tomaram porres homéricos, quando vieram cobrar uma dívida do Brasil com o Banco Rotischild, no início dos anos 30. Todos esses casos estão no livro "Copacabana Palace, um Hotel e sua História", do jornalista Ricardo Boechat, que terá noite de autógrafos amanhã (13), nos salões que serviram de cenário para o que está sendo contado.
A história do hotel está lá, pesquisada e documentada, mas o que dá sabor ao relato é a coletânea de histórias (cuja veracidade Boechat fez questão de comprovar) que aconteceram no espaço de um alqueire que o hotel ocupa. É a crônica de um tempo em que se vivia com mais sofisticação e ingenuidade. O Rio era o centro cultural e político do País e começava a ficar internacionalmente conhecido por sua beleza e modo descontraído de viver.
O Copacabana Palace foi construído no início dos anos 20
por iniciativa de Otávio Guinle, ovelha desgarrada de uma família rica e tradicional. Ousado, construiu no areial de Copacabana um hotel de luxo a exemplo dos que havia nos balneários chiques do Mediterrâneo. A fama veio logo, mas o lucro demorou, devido ao alto padrão serviço. Do fim dos anos 30 a meados da década de 60, tudo entrou nos eixos. O playbou Jorginho Guinle exercia, com competência, as funções de anfitrião e relações públicas no exterior. Quem vinha ao Brasil queria ficar no Copacabana Palace. E veio todo mundo, a passeio ou a trabalho. Glória - Em 1938, Maurice Chevalier inaugurou a boate Golden Room, que ficou lotada com ingressos a US$ 30 dólares, uma fortuna para a época. Anos mais tarde, Ava Gardner curaria sua dor de cotovelo de uma das muitas brigas com Frank Sinatra no mesmo lugar. E Romy Schneider, recém separada de Alain Delon, deu show regado a champanhe, no carnaval de 1964.
Kirk Douglas misturou trabalho e farra. Veio para o carnaval de 1963 e pulou o tempo todo fantasiado de Spartacus, o personagem do filme que estava lançando naquele ano. E Brigitte Bardot, hospedada na casa de um namorado brasileiro, escolheu a varanda do hotel para falar com a imprensa brasileira que a assediava sem parar.
Apesar das excentricidades, Otávio Guinle e sua mulher, Mariazinha Guinle, não desciam do pedestal de classe e sofisticação por motivo ou dinheiro nenhum. Em 1958, o playboy Baby Pignatari foi proibido de entrar no hotel depois de desfeitear uma namorada: a estrela de Hollywood, Linda Christian
contra promoveu uma passeata. E os reis da Espanha, Juan Carlos e Sofia, tiveram a reserva recusada em 1982. Queriam ocupar todo o último andar, mas a matriarca Mariazinha Guinle recusou desalojar-se. Coisas da realeza daqui e de lá.

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