Brasília, 24 (AE) - O presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara, deputado Nilmário Miranda (PT-MG), e o jornalista Carlos Tibúrcio estão lançando hoje, na Câmara dos Deputados e no restaurante Carpe Diem, em Brasília, o livro "Dos Filhos Deste Solo", sobre 424 casos de pessoas mortas no regime militar, que tiveram processos analisados pela Comissão Especial dos Mortos e Desaparecidos nos últimos quatro anos.
O livro traz as versões oficiais dos órgãos de segurança pública e os respectivos desmentidos, feitos a partir de levantamento de documentos e testemunhos.
"O livro é uma forma de resgatar a história das pessoas mortas durante o regime militar", disse o deputado Nilmário Miranda, que representou o Congresso na Comissão Especial, composta por sete membros, inclusive um representante das Forças Armadas. De todos os casos analisados em quatro anos de trabalho
a Comissão concluiu que 281 pessoas tinham sido mortas quando já estavam presas ou sob a tutela do Estado. As respectivas famílias dos mortos tiveram direito a indenizações de até R$ 150 mil.
Nilmário Miranda disse que resolveu escrever o livro para que esta história fique viva na memória dos brasileiros. "É um livro de reconstrução da verdade". O livro, de 650 páginas, classifica os casos de acordo com a organização política da qual participavam os mortos. O livro traz ainda informações de época. Na página que fala do primeiro desaparecido político, Virgílio Gomes da Silva, o "Jonas", por exemplo, os autores lembram que o lançamento do filme "O Que é Isso, Companheiro?" causou reações de desagravo à imagem de Virgílio, que teve sua personalidade retratada indevidamente no filme.
O livro é a primeira obra que resgata a história dos mortos e desaparecidos durante o regime militar, a partir da documentação reunida pela Comissão Especial dos Mortos e Desaparecidos. Há detalhes sobre o reconhecimento da morte, em dependências oficiais e sob a tutela do Estado, do ex-deputado Carlos Marighella, do guerrilheiro Carlos Lamarca, da estilista Zuzu Angel e do jornalista Wladimir Herzog. Há informações inéditas sobre o reconhecimento de vários casos.

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