Lucinéia Parra
De Maringá
A história da Câmara de Vereadores de Maringá, fundada em 1952, é resgatada no livro ‘‘A experiência do legislativo municipal em Maringᒒ, escrito pelos professores da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Reginaldo Dias e Celene Tonella. O livro faz parte do ‘‘Projeto Memória’’ da Câmara Municipal e será lançado nesta quarta-feira, às 20 horas, no Sesc. Os primeiros 500 exemplares serão distribuídos nas escolas. Depois, o livro será vendidos.
Dividido em três capítulos, o livro traz dados curiosos sobre a composição das bancadas e faz uma análise dos trabalhos do legislativo de 1952 até hoje. Para entender a ação do legislativo local, os autores comparam a importância dos três poderes – executivo, legislativo e judiciário – nas esferas federal, estadual e municipal.
Tido como a ‘‘caixa de ressonância’’ da sociedade, o poder legislativo, de acordo com o autor Reginaldo Dias, é o primo pobre do poder executivo. Esta concepção ficou evidente no período de ditadura no Brasil. ‘‘Se na esfera federal, o legislativo aparece com uma atuação ‘‘parda’’, no município a situação não é diferente’’, diz Dias. ‘‘O legislativo municipal é o primo pobre do primo pobre do legislativo federal’’.
De acordo com os autores, durante a primeira metade da existência da Câmara de Maringá, a atuação dos vereadores foi bastante podada pela ditadura. As principais leis propostas pelos vereadores de Maringá, desde a primeira eleição, em 1953, também estão no livro. As leis, conforme Dias, refletem a sintonia do legislativo com as necessidades da época.
Nas primeiras legislaturas, a preocupação maior era com equipamentos e infra-estrutura. Boa parte das leis determina a compra de equipamentos para escolas, construções de postos de saúde para a comunidade e reformas de bens públicos. Na década de 70, no auge dos movimentos em defesa da natureza, a maioria das leis de autoria dos vereadores se refere aos cuidados ecológicos. Já na década de 80, a preocupação era com as minorias. As leis desta época determinam auxílio aos deficientes e às famílias menos favorecidas.
O terceiro capítulo do livro traz os perfis das legislaturas. Um dado curioso da Câmara de Maringá, segundo Dias, é o alto índice de renovação dos vereadores a cada eleição. Desde a sua fundação, o maior índice dos candidatos reeleitos em um pleito foi de 40%. Também não é elevado o número de candidatos que conseguem a reeleição por mais de três vezes consecutivas. A exceção fica por conta do ex-vereador Antenor Sanches, que foi eleito quatro vezes consecutivas, a partir de 1964.
O livro revela ainda que a atual composição da Câmara de Maringá tem vereadores com idáde média mais elevada desde a sua fundação. Para se ter uma idéia, em 1972, época do ‘‘culto à juventude’’, a Câmara de Maringá tinha 17 vereadores com idade abaixo de 40 anos e nenhum vereador com idade acima de 50 anos. A atual Câmara é composta por 17 vereadores com mais de 40 anos de idade e seis vereadores com mais de 50 anos.
Desde os primeiros eleitos, as profissões mais comuns são comerciantes, funcionários públicos, médicos e advogados. O setor industrial não tem grande representatividade na Câmara de Maringá. ‘‘Em compensação, o setor terciário é predominante’’, ressalta Dias. O livro tem 111 páginas.

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