Livro relaciona ecossistemas mais ameaçados do mundo
PUBLICAÇÃO
domingo, 26 de março de 2000
Por Herton Escobar 
São Paulo, 27 (AE) - Na luta pela preservação da fauna e da flora, ecologistas precisam de uma estratégia definida para seus escassos recursos. A partir de amanhã (28), preservacionistas no Brasil podem contar com um guia internacional para traçar seu plano de ataque, com o lançamento, em São Paulo, da edição brasileira do livro "Hotspots. Ele contém informações detalhadas sobre as 25 áreas mais ameaçadas e de maior biodiversidade do Planeta, incluindo a mata atlântica e o cerrado brasileiro.
Para ser classificada como um hotspot, uma área precisa conter pelo menos 1.500 espécies de plantas endêmicas (que só existem naquele local) e ter perdido no mínimo 75% de sua cobertura vegetal original. Essas regiões concentram mais de 60% das espécies de plantas e animais do Planeta, mas representam apenas 4% da superfície terrestre.
A mata atlântica, que abriga numerosas espécies ameaçadas, como os micos-leões, é uma das cinco áreas com maior necessidade de preservação no mundo, tendo perdido mais de 90% de sua extensão original, conta o autor do livro, Russell Mittermeier, presidente do grupo Conservation International (CI). O cerrado, que cobre a região central do País, foi incluído principalmente pela grande diversidade de sua flora - das 10 mil espécies de plantas que compõem sua vegetação, 4.400 são endêmicas.
A floresta amazônica, apesar de sua rica biodiversidade, não é considerada um hotspot porque ainda mantém a maior parte da sua vegetação original, explica o brasileiro Haroldo Castro, diretor de comunicações internacionais da CI.
Critério - Segundo Mittermeier, o livro pretende oferecer um critério para a distribuição de verbas e esforços dirigidos à conservação ambiental: "Em vez de tentarmos fazer tudo no mundo todo, podemos traçar uma estratégia e concentrar forças em áreas onde há uma urgência maior", diz ele. O presidente da CI liderou um estudo de três anos sobre a biodiversidade mundial, com a participação de mais de 100 cientistas em diversos países.
Outra função é educar a população, assim como o setor privado e os políticos responsáveis, sobre a urgência de preservação desses ecossistemas, disse Castro. "O trabalho de proteção dos hotspots começa com a conscientização das populações que vivem nessas regiões."
O livro, de 430 páginas, é em inglês, mas a versão brasileira inclui um encarte especial e um documentário em vídeo
de 13 minutos, narrado em português. Pedidos podem ser feitos para a empresa mineira Estação Verde, pelo telefone (0xx31) 292-8235 ou pelo e-mail [email protected]. O preço é R$ 80.


