Curitiba - O trabalho de um ano e meio, com o envolvimento de 115 pesquisadores, resultou no Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná. A publicação, lançada ontem pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, lista 344 espécies, das quais 163 estão sob ameaça de extinção. Foram catalogadas espécies de anfíbios, peixes e abelhas, que não faziam parte do levantamento realizado há nove anos. A lista anterior trazia 167 espécies.
As espécies que estão no Livro Vermelho foram classificadas em seis níveis de ameaça, segundo metodologia da União Mundial para a Conservação da Natureza (IUCN). Do total catalogado, 163 espécies foram consideradas ameaçadas de extinção, em categorias distintas (regionalmente extinta, criticamente em perigo, em perigo e vulnerável), e terão a proteção específica de lei estadual. Outras 43 espécies foram classificadas como ''quase ameaçadas''. Para 138 espécies não se obteve dados suficientes para sua classicação.
Entre as 163 espécies ameaçadas no Paraná estão 69 aves, 32 mamíferos, 22 peixes, 18 abelhas, 15 lepidópteros (borboletas e mariposas), quatro anfíbios e três répteis. Estão incluídas nessa relação, quatro espécies que já desapareceram: as aves gralhão, uiraçu-falso e codorninha, e um mamífero preguiça-de-três-dedos. Fazem parte ainda das espécies ameaçadas o tamanduá-bandeira, porco-do-mato, paca, anta, veado-campeiro, puma, onça-pintada, macuco, lobo-guará, harpia, siriema, guará, papagaio-da-cara-roxa, dourado, entre outras. A listagem pode ser acessada no site www.pr.gov.br/sema.
O governo também lançou, ontem, o Sistema Estadual de Proteção à Fauna Silvestre (Sisfauna). Segundo o secretário de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Luiz Eduardo Cheida, a intenção é desenvolver, de forma sistematizada, ações de educação ambiental, pesquisa e fiscalização.
A criação do Sisfauna é resultado de um diagnóstico de riscos ambientais realizado pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP). O desmatamento, as queimadas, o avanço da agricultura, o uso indiscriminado de agrotóxicos e o tráfico de animais foram apontados pelo secretário como principais causas de ameaça à fauna silvestre.
Cheida constituiu, ontem, o grupo que vai se encarregar da formação do Conselho Estadual de Conservação da Fauna Silvestre (Confauna), que deverá agregar representantes da sociedade civil organizada. Segundo o secretário, a idéia é que o conselho comece a trabalhar no início do segundo semestre.

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