No próximo dia 1º de outubro, o jornalista Patrick Tierney lança o livro ‘‘Darkness in El Dorado’’ (‘‘Escuridão no Eldorado’’), no qual denuncia que o geneticista norte-americano, James Neel, professor emérito da Universidade de Michigan, teria infectado deliberadamente com um microorganismo milhares de índios ianomamis no Brasil e na Venezuela, nos anos 60, deixando centenas deles morrerem sem socorro. A antecipação do conteúdo do livro foi publicada por Alex Kirby, no site BBC News On Line.
O livro de Tierney conteria provas de que o geneticista ‘‘vacinou’’ os ianomamis com um tipo virulento do microorganismo chamado Edmonson B, que pode provocar sintomas semelhantes aos do sarampo. A ‘‘vacinação’’ teria ocorrido principalmente na Venezuela, à revelia do governo venezuelano. Neel ainda proibira seus colaboradores de prestar socorro aos índios doentes, alegando que sua missão era a de apenas observar. A intenção - sempre segundo o jornalista - seria a de comprovar uma teoria sobre grupos humanos primitivos e geneticamente isolados, que tenderiam a ter homens com uma dominância genética, capazes de gerar filhos com mais frequência, levando à melhoria constante do estoque genético do grupo social. Nas sociedades modernas, de acordo com esta teoria, os genes superiores seriam suplantados pela mediocridade genética massiva.
As antropólogas brasileiras Leinad Ayer dos Santos, da Comissão Pró-Indio, e Lux Vidal, da Associação Brasileira de Antropologia (ABA) nunca ouviram falar no experimento de James Neel, nem como boato. ‘‘A morte de centenas de ianomamis seria conhecida, muito embora o trabalho mais intensivo com os ianomamis tenha se iniciado um pouco mais tarde, já nos anos 70, aqui no Brasil’’, diz Lux Vidal, uma das pioneiras da Antropologia Indígena no País. ‘‘Vamos aguardar as provas deste livro, porque sem elas fica difícil dizer qualquer coisa’’.
James Van Gundia Neel não pôde contestar ou confirmar as acusações, porque morreu em fevereiro deste ano, de câncer, aos 84 anos. Mas, segundo o livro, alguns de seus colaboradores diretos ainda estão vivos. Neel trabalhou com a Comissão de Energia Atômica dos Estados Unidos, avaliando os efeitos das bombas de Hiroshima e Nagasaki nos sobreviventes e seus descendentes. Ele é acusado, também, de injetar plutônio em pacientes, sem seu conhecimento, para testar os efeitos da radiação.

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