Nova York, 23 (AE-REUTERS) - Um livro escrito pelo ex- inspetor de armas da ONU no Iraque Scott Ritter afirma que o envolvimento da CIA (serviço de inteligência dos EUA) nas investigações sobre o programa de armas químicas e biológicas de Bagdá era mais extenso e iniciou-se antes do que fora previamente denunciado.
O livro, intitulado "Endgame" (fim de jogo), garante que espiões americanos começaram a trabalhar com os times de inspetores apenas um ano depois do fim da Guerra do Golfo (1991), informa a edição de hoje (23) do The New York Times. Ritter tem negado acusações do Iraque de que ele também era um espião a mando dos EUA.
O jornal afirma que Ritter escreveu em seu livro que espiões trabalhavam próximos aos times de inspetores e que um golpe contra o presidente do Iraque, Saddam Hussein, em junho de 1996, coincidiu com a presença de nove oficiais da CIA em um dos grupos de inspetores da ONU.
Ritter não apresentou qualquer documento para comprovar suas conclusões, mas especula que a Agência Central de Informações deve ter orquestrado a tentativa de golpe, afirma o jornal nova- iorquino.
"Não há provas do envolvimento (da CIA)", escreveu Ritter em seu livro, segundo o jornal. "Mas há um forte leque de coincidências. As inspeções eram dirigidas quase que exclusivamente aos locais da Guarda Especial Republicana; os cospiradores eram das mesmas unidades que nós estávamos tentando inspecionar".
O Times explicou que obteve provas do livro - que será lançado em abril pela Simon & Schuster - na condição de não revelar o nome da fonte fornecedora.
O livro confirma acusações de Saddam Hussein de que os times de inspetores da ONU vinham abrigando espiões americanos praticamente desde o início de seus trabalhos no Iraque. Oficiais de Washington admitiram que a CIA auxiliava as inspeções e fornecia especialistas, mas, segundo o Times, o livro de Ritter sugere um envolvimento anterior e profundo.
Ritter trabalhou para a comissão da ONU de 1991 até o verão (no Hemisfério Norte) do ano passado, quando demitiu-se em parte em protesto contra o que chamou de interferência da administração do presidente Bill Clinton no trabalho dos times de inspetores.

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