São Paulo - Pais de crianças portadoras de autismo sabem: é uma longa busca ter o diagnóstico da síndrome em alguns casos, profissionais de saúde erram ou demoram em confirmá-lo. ''Os exames não acusavam nada, então diziam que era coisa da minha cabeça'', relata Elisalma Munhoz Alves, mãe de Leandro, 19 anos, com diagnóstico de autismo desde os três anos. A segunda via-crúcis é saber o que fazer, a que tipo de tratamento ou educação submeter a criança por exemplo, buscar uma escola especial ou experimentar uma situação de inclusão numa escola regular?
Tendência mundial na educação de crianças com necessidades especiais, esta última opção é defendida pelo psicólogo, educador e professor-adjunto do Departamento de Estudos Básicos e do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS) Claudio Roberto Baptista. Em conjunto com a psicóloga Cleonice Bosa e colaboradores, Baptista lançou recentemente ''Autismo e Educação - Reflexões e Propostas de Intervenção'' (Editora Artmed, 180 páginas). O livro, informa Baptista, é direcionado a profissionais das áreas de educação, psicologia e saúde, mas, pela linguagem acessível, torna-se também uma boa fonte de conhecimento para pais e interessados no assunto.
Uma das idéias expostas no livro é a de que as preocupações com as crianças autistas não devem ser tão diferentes daquelas que se têm com qualquer criança. O ideal, salienta o psicólogo, é manter sempre um bom nível de atenção e desconfiança em relação ao comportamento dela e também às opiniões de profissionais. ''É bom ouvir várias vozes, estar aberto a diferentes opiniões sobre o tema. Mesmo os profissionais dizem que há inúmeras diferenças entre os casos'', destaca.

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