Livro aborda o real sentido da palavra otimismo
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segunda-feira, 01 de novembro de 2010
Fernanda Borges <Br>Reportagem Local 
Inundações, crise financeira, aquecimento global, bactérias cada vez mais resistentes, supervírus. Para um pessimista, o fim do mundo parece estar muito próximo e, se as notícias do mundo servirem de impedimento para a felicidade de alguém, então não haverá otimista algum no planeta. Foi justamente pensando em desmistificar a idéia de que é impossível levar uma vida mais tranquila e mentalmente saudável nos tempos atuais que o escritor e ator Laurence Shorter escreveu ''O Otimista''. Publicado pela Editora Agir, o livro reúne depoimentos de pessoas públicas ''sempre felizes'' e promove ao leitor uma reflexão sobre os caminhos para se tornar uma pessoa melhor e mais feliz.
Em entrevista à FOLHA, Shorter explica que as pessoas são pessimistas porque estão acostumadas a ser assim e, no fundo, segundo ele, estão acomodadas com esse posicionamento em relação à vida. ''O incômodo que os outros sentem em relação à felicidade alheia não é raiva, é frustração por não possuírem essa mesma abordagem leve e saudável. As pessoas são acostumadas desde pequenas a se compararem umas com as outras o tempo todo, daí essa insatisfação com qualquer coisa que consideram positiva nos outros e não enxergam em si mesmas'', diz.
Shorter era um homem anônimo de 30 anos, desempregado havia cinco, vivendo à custa do pai, em Londres. Certo dia, tomado pelo desespero ao acordar e ouvir uma avalanche de más notícias pelo rádio, decidiu redescobrir o lado otimista que existia dentro de si. ''Por quê as pessoas gostam tanto de ler notícias envolvendo mortes, injustiças e tragédias se aquilo não os desperta emoções boas ou prazerosas? Porque elas estão entediadas com suas vidas'', ressalta.
Para tentar desvendar um caminho para o otimismo, o autor entrevistou pessoas como Mick Jagger e o arcebispo sulafricano Desmond Tutu, além de executivos, psicólogos, economistas, pensadores e pessoas comuns que passaram por tragédias pessoais. Shorter também pesquisou sobre doenças sem cura, aquecimento global, terrorismo, guerras e todos os temas que a sociedade considera alarmantes.
''O cientista, doutor Seligman - a quem cito no meu livro - me explicou que as pessoas reagem a estímulos externos conforme estão habituadas a agir, de forma pessimista ou de forma otimista. Isso tem mais haver com a estrutura mental interna da pessoa do que com o ambiente externo. Ou seja, é tudo uma questão de hábito. A mensagem principal que busco passar no meu livro é que o otimismo na verdade não tem nada haver com o mundo exterior, e sim em como condicionamos nosso mundo interior. Ser otimista e positivo está ao alcance de todos, basta apenas quebrarmos com o vicioso hábito de enxergamos tudo como insatisfatório, derradeiro e inevitável'', finaliza.


