Livre negociação muda relações entre empresas e trabalhador
por exemplo, faz a produtividade aumentar. E para 83% dos que tentaram, não provocou nenhum aumento dos custos trabalhistas, ao contrário do que pensam muitos empresários. Outra situação inimaginável há bem pouco tempo: 27% qualificaram o relacionamento da sua empresa com o sindicato como "harmonioso", e 50% como "neutro". Só 27% sofrem com o conflito. A pesquisa faz parte do projeto Mediar, criado pelo professor da Faculdade de Economia e Administração, (FEA-USP), e pesquisador da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) Hélio Zylberstajn, com o objetivo de tornar disponível pela Internet um banco de dados sobre relações do trabalho. Tem acesso a esse banco quem concordar em também prestar informações de sua empresa. O endereço do Projeto Mediar é www.fipe.com/mediar. Números - O professor notou também que o aumento de salário puro e simples aparece, modestamente, como o quinto item mais negociado - presente em apenas 52% das negociações. Antes dele, estão os complementos salariais (abonos e prêmios, presente em 76% das pautas), os benefícios (salário indireto 62%), jornada de trabalho (62%) e regras de proteção ao emprego (57%). Em outubro, salário tomou a dianteira. "Apareceu em 71% das negociações, provavelmente por causa do aumento da inflação." A pesquisa mostrou que existem ainda muitas contradições nas relações entre capital e trabalho e, de modo geral, as empresas entrarão no ano 2000 com muito discurso e pouca coerência nessa área. A disputa das duas maiores centrais sindicais do Brasil pelo título de maior influência sobre os trabalhadores aparece na pesquisa. Nada menos que 33% das empresas consideraram que a Força Sindical exerce influência "muito forte" sobre seus empregados. No caso da CUT, 36% apontaram sua influência como "forte". Já quando o assunto é organização interna de trabalhadores, a CUT reina absoluta: entre os órgãos de representação interna das empresas que responderam a pesquisa, 54% são controlados por esta central e nenhum pela Força Sindical.Por Liliana Pinheiro São Paulo, 26 (AE) - A livre negociação entre empresas e sindicatos tem no Brasil pouco tempo de vida - quase a mesma idade da estabilidade da moeda. Mesmo assim, esses poucos anos mudaram a cara das relações de trabalho, como atesta uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP), de abril a setembro deste ano, com 440 empresas e entidades sindicais do País. Velhas idéias começam a ser sepultadas. Por exemplo, atividade sindical hoje não é mais sinônimo de ânimos exaltados no chão da fábrica e de aumento de custos trabalhistas - em muitos casos, é apontada até mesmo como razão para aumento expressivo de faturamento e melhoria da produtividade. Aumento de salário anual também não é mais o carro-chefe das negociações. Perdeu espaço para diálogos sobre abonos, benefícios, jornada e proteção ao emprego. Entre os que permitiram a organização interna dos empregados, surpreendentemente 17% afirmam que criar uma comissão de fábrica





