Se você gosta de ler e conhece alguma livraria nos moldes antigos, daquelas que têm entrada pela rua e onde o principal atrativo são os livros, não perca tempo: aproveite para frequentá-la o máximo que puder, pois ela pode estar com os dias contados. A tendência parece irreversível - a cada ano diminui o número de pequenas e médias livrarias no País.
Segundo dados da Associação Nacional de Livrarias (ANL), entre os anos de 2011 e 2012 houve uma queda de 12% no número deste tipo de estabelecimento, passando de 3.481 para 3.073. O levantamento deste ano ainda não foi divulgado.
O Paraná não foge à regra. Em 2011 o Estado contava com 219 livrarias, sendo 64 em Curitiba. Em janeiro deste ano o número havia chegado a 204 (queda de quase 7%) no Estado e a 41 na Capital, que registrou uma queda de 36%.
Em Londrina, segundo dados da Secretaria Municipal de Fazenda, nos últimos três anos 26 estabelecimentos de comércio varejista de livros fecharam as portas na cidade. Só este ano foram 15, mais que o dobro do número registrado no ano passado, quando foram fechadas seis livrarias. Entre as que ficaram, a maioria é especializada em publicações religiosas. A última a baixar as portas definitivamente foi a Bom Livro, que funcionou durante quase 20 anos no número 391 da Rua Pernambuco (Centro).
Para Massao Tsukada, diretor da antiga rede – que chegou a ter oito lojas em Maringá e duas em Londrina, antes de sofrer uma divisão societária – as livrarias tradicionais de rua tornaram-se inviáveis diante da concorrência com aquelas instaladas em grandes shoppings. Os horários mais flexíveis e outras facilidades oferecidas por estes centros de compras, além da diversificação de produtos presente nas chamadas megastores, estão entre os principais motivos para o enfraquecimento do comércio de rua de livros.
"As lojas menores têm menos fôlego e, para concorrer com as grandes, seriam necessários grandes investimentos", avalia o empresário, que atualmente mantém apenas uma loja em Maringá, que "é mais papelaria do que livraria". De acordo com Tsukada, uma das grandes possibilidades de venda, no passado, eram os livros didáticos, no início do ano letivo. "As pessoas vinham comprar livros para os filhos e acabavam levando para elas também, porque boa parte das compras são feitas por impulso. Mas atualmente o governo federal repassa a maioria dos títulos para as escolas e os pais não precisam mais ir até as livrarias."
As previsões sobre o fim do livro de papel não preocupam o empresário, que não acredita na sua substituição pelos e-books. "Quem lê, gosta mesmo é de sentir as páginas nas mãos", atesta. Mas ele concorda que a situação dos livreiros poderia ser outra se o hábito da leitura fosse mais arraigado no brasileiro. "Em países desenvolvidos vemos as pessoas lendo na rua, enquanto esperam ônibus, no metrô. Por aqui isso é raro, as pessoas perdem mais tempo usando o celular, o que mostra que para a maioria da população a leitura ainda não é algo prazeroso. É uma cultura que vai demorar a mudar, até porque não existe incentivo para isso por parte das escolas." Para exemplificar, o empresário cita as bibliotecas existentes nas instituições de ensino, que de maneira geral não são atrativas à leitura.
Estudo piloto divulgado em agosto deste ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), durante o 35º Congresso Internacional de Uso do Tempo, mostrou que a leitura ocupa, em média, seis minutos por dia na vida do brasileiro, enquanto a TV domina 2h35 de seu tempo livre. O estudo do IBGE foi realizado em quatro estados (Pará, São Paulo, Rio Grande do Sul e Pernambuco), além do Distrito Federal, com mais de 5 mil pessoas com 10 anos ou mais. Enquanto isso, outra pesquisa realizada pelo Bureau of Labor Statistics, dos Estados Unidos, mostrou que a média diária de leitura entre os americanos é de 31 minutos nos dias de semana e 37 minutos nos fins de semana.

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