Litoral parananense terá parque subaquático
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 09 de julho de 2004
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O Paraná vai ganhar em agosto o primeiro parque de visitação subaquático da América Latina. O projeto do Parque de Visitação de Recifes Artificiais Marinhos começou a ser implementado em 1997, quando foram lançados os primeiros blocos de concreto no mar. Até agora, já foram afundados 2 mil blocos de concreto e naufragadas duas balsas que vão continuar submersas depois de terem sido descontaminadas. A intenção é fazer com que o material sirva como um recife artificial, onde os peixes e moluscos possam transitar e reproduzir sem a interferência humana.
A unidade está sendo instalada entre as ilhas dos Currais e Itacolomis, em frente à Praia do Leste, em Pontal do Paraná, no litoral do Estado, 12 quilômetros da costa. Cerca de 200 estruturas também de concreto foram construídas especialmente para o projeto e serão afundadas na primeira quinzena de agosto. O parque contará ainda com a escultura de uma sereia desenvolvida pelo artista plástico paranaense Rogéryo D Ribeiro. A escultura está sendo modelada. ''Eu tive a liberdade de criar algo que fosse diferente e ao mesmo tempo bonito. Resolvi optar pela sereia porque eu não queria usar nenhum ícone importado. Optei por um símbolo universal do mar'', declarou o artista.
Ribeiro fez uma sereia grávida. Quis destacar os valores da natureza no corpo da sereia. ''A sereia está grávida, o que simboliza a reprodução. Além disso, é um personagem mítico e marinho. É a protetora das águas e será a protetora do parque'', justificou. A sereia tem 2,5 metros de altura, 4,5 metros de comprimento e três metros de profundidade.
O projeto está sendo desenvolvido pelo Instituto Ecoplan, uma organização não governamental que trabalha na conservação da biodiversidade. Além da preservação do meio ambiente, a idéia do parque é conquistar áreas protegidas da pesca de arrasto e transformá-las em alternativa para pesca artesanal. ''Ano a ano os estoques pesqueiros estão diminuindo por causa da depredação ambiental feita pela pesca de arrasto. Esta pesca é sempre realizada com embarcações de São Paulo e Santa Catarina que vêm para o litoral do Paraná. A natureza não consegue repor sozinha o que é tirado. Vamos produzir em áreas protegidas, onde estas embarcações não poderão chegar'', destacou o superintendente do Instituto Ecoplan, Fabiano Brusamolin.


