Litoral do Paraná fica sem coleta de lixo
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terça-feira, 23 de dezembro de 2008
Rosiane Correia de Freitas<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A falta de coleta de lixo nos municípios do litoral paranaense está incomodando moradores e empresários da região. Segundo a aposentada Elza Edely Beltran, que mora em Guaratuba há dois anos, a cidade ficou sem o recolhimento do lixo por pelo menos sete dias na última semana. ''Hoje (ontem) passaram para recolher, mas acho que foi porque liguei para reclamar'', disse.
Segundo o secretário estadual de Meio Ambiente, Rasca Rodrigues, a interrupção no serviço foi causada pelo atraso nos pagamentos das prefeituras ao prestador de serviço. ''É uma irresponsabilidade deixar de realizar ums serviço vital para a saúde pública como a coleta de lixo'', afirmou. Ontem a empresa contratada pelo governo do estado em caráter de emergência para atender a região durante a temporada de verão começou a coleta em todo o litoral.
Segundo Elza, a falta de coleta é contornada pelos moradores com medidas simples. ''A gente não coloca o lixo na rua enquanto o caminhão não vem'', contou. ''Mas quem é turista não tem esse cuidado e o lixo vai se acumulando'', explicou.
Para o presidente da Associação de Hotéis, Restaurantes e Similares do Litoral Paranaense (Assindilitoral), José Carlos Chicarelli, o problema precisa de ações rápidas. Segundo ele, o sindicato está orientando turistas e empresários a não colocar o lixo na rua enquanto a coleta não acontece. ''O lixo na rua pode se espalhar, juntar insetos e até mesmo entupir a rede de esgoto'', disse.
Segundo Rodrigues, o governo do estado espera regularizar a situação até quarta-feira. ''Fizemos o contrato de emergência porque as empresas locais queriam forçar o governo a subir o preço em 10%'', explicou. A empresa contratada, a Leão & Leão Ldta., é de Ribeirão Preto e teria aceito o preço ofertado pelo governo: R$ 5 milhões. ''É um contrato sem risco para o erário porque a empresa só recebe depois de prestar o serviço'', disse.
A reportagem da Folha procurou os prefeitos Francisco Carlim dos Santos (PSDB), de Matinhos e Miguel Jamur (PSB), de Guaratuba, para comentar o caso, mas não obteve respostas. Ambos não se reelegeram nas eleições desse ano e devem deixar o cargo no dia 1º de janeiro. Este ano os dois municípios já enfrentaram problemas na saúde pública com a suspensão do atendimento em postos de saúde e no hospital de Matinhos por atraso no pagamento de salários.
Falta balneabilidade
Na semana passada a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA) divulgou o primeiro relatório de monitoramento da balneabilidade do litoral. Dos 47 pontos analisados, apenas 9 (20%) estão próprios para banho. A recomendação da Secretaria é que os banhistas não entrem no mar nos locais apontados como impróprios uma vez que a medição indica que há grande concentração de esgoto nesses locais.
A água do mar suja pode causar gastroenterite, infecções nos olhos, ouvidos e garganta, além de doenças de pele, hepatite A, cólera e febre tifóide. O próximo relatório deve ser divulgado pela SEMA na quarta-feira.


