Lista dos esquecidos tem Anchieta, Catro Alves e Zumbi dos Palmares
Rio, 12 (AE) - Nem só o holandês Maurício de Nassau, que tentou criar no Recife, capital de Pernambuco, a Veneza americana, ficou esquecido nos enredos das 14 escolas do Grupo Especial. É claro que, em 500 anos de história, aparece tanta gente que não dá para incluir todo mundo. Mas poderia haver lugar ao menos para a Marquesa de Santos, a amante de d. Pedro I
que influenciou tantas decisões do Primeiro Reinado.
Os fãs da Domitila (nome da Marquesa de Santos) podem consolar-se com outras ausências importantes. Da história colonial, faltam bandeirantes (nem sequer Fernão Dias Pais Leme foi lembrado), jesuítas (José de Anchieta e Manuel da Nóbrega, que ajudaram na nossa formação cultural), índios (Araribóia, que se desentendeu com os portugueses e fundou Niterói, e Paraguaçu, que encantou as cortes européias), franceses sempre fascinados pelo Brasil (Villegaignon é o mais antigo e Brigitte Bardot, a mais famosa) ou inconfidentes.
Tudo bem, tem Tiradentes, numa citação, mas e Bárbara Heliodora? E Tomás Antônio Gonzaga, só para ficar entre os mais conhecidos? As ausências não param aí. O Barão do Rio Branco e o Duque de Caxias, que forjaram nossas fronteiras, inexistirão no próximo carnaval, assim como o Visconde de Mauá, nosso primeiro industrial, ficou de fora.
Entre as figuras polêmicas, o cangaceiro Lampião nem foi citado e Calabar, o traidor-mor na expulsão dos holandeses de Pernambuco, foi pelo mesmo caminho. Entre tantas homenagens aos negros, ninguém fala de Zumbi dos Palmares ou do abolicionista José do Patrocínio. E, entre os artistas, Machado de Assis e Castro Alves são duas ausências a mais.
O período mais recente da nossa história ficou do mesmo jeito. João Pessoa e Luiz Carlos Prestes foram parar aonde? Isso para não mencionar os jovens tenentes de 22, os pracinhas da Segunda Guerra Mundial e heróis como Sérgio Macaco, o capitão expulso da Aeronáutica por recusar-se a explodir o gasômetro, no Rio.
Talvez o carnaval não fosse o lugar dessas histórias, mas o poder sabe a força que o desfile tem no imaginário do País. Chica da Silva estava esquecida até 1963, quando o Salgueiro fez dela seu enredo e a escrava que virou senhora ficou popular. E não foi por acaso que a repressão quase proibiu o Império Serrano de sair, em 1969, com o enredo "Heróis da Liberdade". A escola desfilou, mas a letra do samba, que conjugava liberdade com revolução, teve de ser mudada. E essa história também vai ficar de fora no próximo carnaval. (B.C.S.)





