Lista coloca rede do PR sob suspeita
Sônia Cristina Silva
Agência Estado
De Brasília
A CPI dos Medicamentos decidiu ontem convocar novamente o presidente da Associação Brasileira das Redes de Farmácia (Abrafarma), Aparecido Bueno Camargo, que havia afirmado à comissão no dia 3 haver no mercado produtos bons para otários, os BOs. Os deputados querem saber o motivo de uma das empresas de Camargo aparecer em relação encontrada por policiais civis durante a operação de fechamento de um laboratório clandestino em Uberlândia (MG). O depoimento deve ser na quarta-feira.
Na relação, apresentada ontem na CPI pelo deputado Íris Simões (PTB-PR), estão nomes de pessoas físicas e de farmácias, entre elas a Drogamed, Comércio de Medicamentos e Perfumaria Ltda. De acordo com o registro na Junta Comercial do Paraná obtido pelo deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) o presidente da Abrafarma é sócio majoritário do estabelecimento. A relação revela indícios, mas não é prova.
A lista tem nomes de supostos clientes, mas ainda é preciso saber se eles teriam comprado remédio falsificado e se isso foi feito de má-fé, disse o deputado Carlos Mosconi (PSDB-MG), um dos três deputados que integraram a diligência em Uberlândia.
O laboratório clandestino atuava com dois outros laboratórios regulares, de acordo com investigações. O deputado Robson Tuma (PFL-SP), que também participou da diligência, informou que a relação foi encontrada em uma casa sem identificação, que seria usada como distribuidora, no dia da operação policial em Uberlândia.
Aparecido Camargo deverá depor, desta vez sob juramento, na próxima quarta-feira. A existência do nome Drogamed na lista justifica chamar o presidente da Abrafarma, afirmou o deputado Iris Simões (PTB-PR). Camargo nos disse que só comprava remédios de laboratórios, afirmou o deputado. Só que ele esqueceu de dizer que comprava de laboratório falso, ironizou Simões. Para o relator da CPI, Ney Lopes (PFL-RN), os indícios são graves e podem levar à descoberta de crime.
Até agora, sabemos apenas que Camargo é dono da empresa, mas é preciso verificar se ele comprava remédio do tal laboratório, disse Arlindo Chinaglia, que pretende aprofundar as apurações, requisitando quebra de sigilos fiscal, bancário e telefônico de Camargo para avaliar a evolução patrimonial do presidente da associação.
A CPI ainda precisa tomar decisões, entre elas, aprovar o requerimento apresentado por Robson Tuma, em janeiro, pedindo exames para verificar se são falsos ou verdadeiros os remédios encontrados no laboratório clandestino mineiro. Também não foram montadas ainda equipes técnicas para avançar nas investigações.
O documento com informações coletadas no laboratório clandestino de Uberlândia e na distribuidora tem agenda, minutas de despacho e controle de entrada e saída e de estoque. Existe dificuldade pela falta de técnicos, acredita Arlindo Chinaglia. Se não temos técnicos que dominem esse tipo de assunto, fica complicado afirmou. Para o deputado José Linhares (PPB-CE) é importante lembrar que o trabalho da comissão termina em março.
Temos assessores, e, no caso de Uberlândia, eu sou advogado, retrucou o relator, Ney Lopes, prometendo enviar o caso do laboratório mineiro à Polícia Federal. Há limitações; não queremos deixar que essa seja mais uma CPI dos Medicamentos, garantiu Sérgio Novais (PSB-CE), referindo-se ao fato de esta ser a quinta comissão instalada no Congresso para analisar o tema.Relação apreendida por policiais durante o fechamento de um laboratório clandestino em Uberlândia continha o nome da Drogamed
Arquivo FolhaDEFESAAparecido Camargo: Vou levar os livros fiscais para comprovar que trabalhamos com transparência





