Línguas regionais provocam divisões políticas na França Do correspondente GILLES LAPOUGE
Paris, 25 (AE) - Desde quinta-feira a França está dividida, numa linha inédita, passando no meio da esquerda e da direita, no seio de todos partidos, entre os liberais e libertários e os "soberanistas". O que detonou essa guerra, que não é fútil, pois amanhã poderia remodelar inteiramente a paisagem política francesa, substituindo o corte esquerda-direita por outro, entre os devotos da "nação" contra os "mundialistas"?
Esse detonador chama-se "línguas regionais". Uma diretiva européia editou uma "carta das línguas", favorável aos idiomas locais. Na França, são inúmeros, proporcionais ao quebra-cabeças de províncias étnicas e historicamente divergentes que compõem a nação: o provençal, o ocitânico, o basco, o bretão, o corso, o catalão e o alsaciano.
Para ratificar o documento europeu, a França teria de reformar sua Constituição. Aí uma primeira batalha eclodiu na proa do Executivo: o primeiro-ministro socialista, Lionel Jospin, mostrou-se favorável às línguas regionais, portanto, em favor da reforma constitucional. Mas o presidente Jacques Chirac rejeita qualquer revisão da Constituição.
E assim Chirac (da direita), numa atitude bizarra, socorreu os chamados "soberanistas" - os franceses que cultuam a "nação", dentro da tradição republicana e querem que, nos atos oficiais, a França só fale francês.
Essa nova situação prenuncia uma redistribuição total das cartas. Talvez amanhã só restem dois campos, recrutando seus adeptos tanto na esquerda quanto na direita: os liberais mundialistas, por um lado, e os soberanistas, por outro.





