Quantas vezes você sentiu vontade de beijar alguém na boca? Certamente nem pensou nisso, mas a boca daquele bonitão ou bonitona está cheia de bactérias -uma única gota de saliva, seja daquela atriz famosa ou daquele seu vizinho
tido como porco, tem dois bilhões delas.
Calma, também não é preciso decidir nunca mais beijar ninguém na boca. Boa parte dessas bactérias é inofensiva. Mas não custa cuidar direitinho da higiene bucal. Isso não apenas garante um sorriso bonito como também ajuda a evitar uma série de doenças. E não é difícil: escovar os dentes não exige mais de cinco minutos. Também é importante usar fio dental ao menos uma vez ao dia e, se possível, fazer bochecho com colutórios - aquelas soluções usadas para fazer bochecho, como Listerine e Cepacol.
''Devemos escovar toda a cavidade bucal. Isso inclui os dentes, a gengiva, a língua e a bochecha'', explica Pedro Luiz Pitarello, cirurgião buco-maxilo-facial do Hospital Beneficência Portuguesa de Santo André. Ele recomenda até o uso de um raspador, instrumento usado para limpar a superfície da língua. Mas isso não substitui a escova, pois também é preciso higienizar a parte de baixo dela. ''A língua é uma piscina de bactérias'', alerta o médico.
A gengiva é outra região da boca que muita gente não lembra de higienizar. Pitarello alerta que a inflamação da gengiva, chamada gengivite, é muito comum. Quando inflamada, a gengiva muda de cor- saudável ela é rósea, mas então se torna avermelhada- e fica muito sensível -começa a sangrar quando o paciente escova os dentes ou come. O tratamento em geral é muito fácil. ''Normalmente basta caprichar na limpeza da boca'', afirma o cirurgião.
Se não é tratada, a gengivite evolui para periodontite e começa a complicar. Essa outra inflamação atinge os ossos e pode causar a perda dos dentes. Quando a doença está avançada, o tratamento costuma ser cirúrgico.
''As doenças da gengiva podem até causar doenças cardiovasculares e pulmonares'', alerta Tânia Mendonça, coordenadora da área de saúde bucal da Secretaria de Estado da Saúde. Esse risco existe porque as bactérias ingressam na corrente sanguínea e então se espalham pelo organismo.
A gengivite é mais comum entre diabéticos, fumantes e usuários de medicamentos para convulsão, entre outros, conta Fabio Nunes, livre-docente da Faculdade de Odontologia da USP e consultor científico das clínicas Easyimplant. Ele alerta que os cuidados com a limpeza devem começar antes mesmo do nascimento dos dentes. ''Os bebês já precisam de limpeza da gengiva'', diz. As crianças também devem tratar adequadamente os dentes ''de leite'', que orientam o crescimento dos definitivos.

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