Linchamento é um dos mais incitados
Londrina - Diretor-presidente da organização não governamental SaferNet, que atua no combate ao uso indevido da internet para a prática de crimes e violações contra os direitos humanos, Thiago Tavares Nunes de Oliveira afirma que o linchamento é um dos quatro delitos mais mencionados nas páginas virtuais ou redes sociais que fazem incitação e apologia aos crimes contra a vida denunciadas pela entidade. Os outros três são assassinato, tortura e suicídio. E não se trata de um "fenômeno" recente. "Temos registros de páginas fazendo apologia ao linchamento no Orkut em 2005, ou seja, há quase dez anos. O problema é que antes isso se restringia a páginas da internet e agora está saindo das telas do computador e ganhando as ruas", ressalta Oliveira, também professor de Direitos Humanos e Direito da Informática na Pontifícia Universidade Católica da Bahia (PUC-BA).
A materialização das manifestações violentas nas redes demonstram, na visão do professor, que a internet não é um mundo paralelo, mas uma extensão do mundo real. E como tal, ela não estimula, mas apenas reflete um comportamento enraizado na sociedade brasileira. "A internet é uma caixa de ressonância da sociedade, e sempre que existem temas polêmicos de grande repercussão, de alguma forma acaba gerando uma radicalização do debate político, refletindo no número de denúncias", avalia. "E é importante que se diga que os casos de justiçamento crescem no vácuo do estado, na descrença da sociedade nas instituições constituídas. Em uma sociedade profundamente marcada pela violência como a sociedade brasileira, essas manifestações vão invadir o seu computador, tablet, seu smartphone, e, como estamos vendo, chegar às ruas."
A ONG Safernet mantém um termo de cooperação com a Polícia Federal e Ministérios Públicos de 17 Estados em que lhes disponibiliza acesso on-line em tempo real ao conteúdo monitorado em seu site. "Além disso, produzimos relatórios que ajudam a compreender a relação dos fenômenos sociais relacionados a condutas violentas na internet e a promover ações de enfrentamento", explica Thiago Oliveira.(D.P.)





