Roma, 09 (AE-ANSA) - A "limpeza étnica", em servo-croata "etnicko ciscenje", é "um conjunto de práticas que visam homogeneizar à força uma nação através da eliminação dos indesejáveis" pertencentes a outros grupos étnicos, na palavras de um especialista.
Apesar de não ser uma prerrogativa dos povos da ex-Iugoslávia e nem desta época, a crise deste Estado multiétnico, nos últimos dez anos, foi marcada por operações comuns de "limpeza étnica" (bósnios expulsos por sérvios e também por croatas, sérvios expulsos por croatas, etc.).
"O contexto da limpeza étnica é o estado-nação que trata de homogeneizar sua população segundo um modelo linguístico e cultural, em vez de utilizar a categoria da cidadania e expulsa os núcleos considerados irredutivelmente alheios", explica o historiador Georges Prevelakis.
Informes citados pelo jornal francês Le Monde mostram que desde o início da guerra na ex-Iugoslávia (1991) as matanças e deportações perpetradas no marco de várias "limpezas étnicas" provocaram a morte de 200.000 pessoas.
O calvário dos chamados "encraves protegidos" de Srebenica, Zepa e Gorazde em 1995 já faz parte da memória coletiva, assim como o drama das expulsões dos muçulmanos pelos croatas da Herzegovina.
Historiadores citados pelo Le Monde calculam em três milhões o número total de refugiados e deslocados depois de oito anos de guerra na Eslovênia, Croácia, Bósnia e agora em Kosovo e na mesma Sérvia.
Um dado pouco citado revela o elevado número de refugiados sérvios: mais de 300.000 foram forçados a abandonar os territórios "reconquistados" pelos croatas e outros 35.000 fugiram da Bósnia.
Em relação a Kosovo, antes dos bombardeios da Otan o número de refugiados e desabrigados, segundo dados recolhidos pelo Acnur, era de 300.000 pessoas.
Depois dos primeiros 12 dias de guerra, outros 400.000 albaneses teriam abandonado a região.

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