Rio, 04 (AE) - A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) conseguiu no último dia 31 uma liminar para impedir a distribuição de dividendos aos acionistas da Eletropaulo Metropolitana, marcada para hoje. Os outros controladores da distribuidora paulista - a Electricité de France (EDF) e as norte-americanas Reliant e AES - aprovaram a distribuição de 40% do lucro ajustado, mas a CSN foi voto vencido ao propor o dividendo mínimo obrigatório de 25%, alegando que a Metropolitana não teria condições de fazer desembolsos além do exigido.
Segundo o processo da CSN, que está na 3ª. Vara Cível do Rio, "o montante de recursos disponíveis para o exercício de 2000, da ordem de R$ 44,6 milhões, é insuficiente para garantir o pagamento dos dividendos propostos, da ordem de R$ 160,5 milhões, com recursos próprios da sociedade". Se fossem distribuídos os 25% obrigatórios, a empresa pagaria cerca de R$ 100 milhões. A CSN prefere usar o caixa para investimentos na empresa a pagar dividendos maiores aos acionistas.
Pelo despacho da Justiça, a Metropolitana fica impedida de distribuir lucros acima dos 25% legais até que seja avaliado se o pagamento colocaria em risco a saúde financeira da empresa. A Metropolitana e seus controladores não quiseram se manifestar sobre o assunto. A empresa publicou apenas um aviso aos acionistas, hoje, comunicando o adiamento da distribuição dos dividendos.
Entre os acionistas da Metropolitana estão a União, com 8% do capital total, e a BNDESPar, subsidiária de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com 2,3%. A dissidência entre os controladores não afetou as ações da empresa, lembrou o analista de energia elétrica do Banco Boavista, Victor Pereira. O valor dos papéis não oscilou no mercado hoje.
A Metropolitana foi comprada há dois anos pelos mesmos sócios da Light, distribuidora carioca. O mercado aguarda a reestruturação que está sendo desenhada pelos sócios: a CSN, que caminha para a autosuficiência em geração de energia, e a Reliant sairiam do negócio, a AES ficaria na Metropolitana e a EDF, na Light. Nos leilões das ações das duas empresas em poder da BNDESPar, este ano, os interesses da AES e da EDF foram confirmados pelas respectivas compras dos ativos de São Paulo e Rio. As negociações com a CSN estariam esbarrando no preço.

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