Liminar garante trânsito de supercarreta na BR-369
O juiz Roger Vinícius Pires de Camargo de Oliveira, da Vara Cível de Jacarezinho, concedeu liminar ontem liberando o tráfego de uma carreta com cerca de 5,20 metros de altura, 6,30 metros de largura e 80 metros de comprimento, carregada com um transformador para rede de alta tensão. O veículo estava retido em Cambará (22 km a noroeste de Jacarezinho).
O impasse no transporte do transformador com 427,5 toneladas começou no último dia 8, depois que a Econorte concessionária responsável pelo lote 2 do Anel de Integração não permitiu a passagem da carreta com o transformador.
Depois da concessão da liminar, a carreta continuou viagem, mas foi barrada no quilômetro 11 da BR-369, no município de Cambará (22 km a noroeste de Jacarezinho).
O transformador será instalado na subestação da Eletrosul no distrito de Irerê, município de Londrina. É a primeira das quatro unidades que serão instaladas em regime de urgência para otimizar a distribuição de energia no Centro-Sul do País, uma das medidas do governo federal para evitar racionamento na região.
De acordo com o supervisor técnico, José Antônio Correa, da Transpesa Della Volpe, de Itaquaquecetuba (Grande São Paulo), responsável pelo transporte, a Econorte tentou impedir o tráfego mas a Policia Rodoviária foi acionada e informou que hoje, ao amanhecer, os policiais devem fazer cumprir a liminar. A transportadora está autorizada a realizar o transporte somente durante o dia.
De acordo com o advogado da Transpesa em Londrina, Roberto Severo, a alegação da Econorte era que, através de um exame visual, os técnicos da empresa constataram que poderia haver prejuízo ao pavimento e nas pontes da estrada. Severo explica que todo o trajeto foi avaliado por uma empresa especializada neste tipo de projeto, credenciada pelo DNER. É um absurdo que a Econorte use apenas o olhômetro neste caso. É preciso que a empresa esteja preparada para fazer um exame técnico apurado e de maneira ágil, comentou Severo.
A empresa CEL Engenharia S/C LTDA afirmou em seu laudo técnico que vistoriou todas as pontes existentes no percurso e declarou que todas elas suportam os efeitos da carga sem prejuízo de estabilidade e segurança. Ela alega que a carga não afeta a vida útil das estruturas analisadas. O laudo analisou as características das pontes em relação às suas dimensões externas, esquemas estruturais e integridade física.
O advogado afirma que a medida tomada pela Econorte não teve nenhum amparo legal. Segundo ele, o atraso poderia comprometer o abastecimento de energia no interior paulista. Além dos prejuízos no sistema elétrico, a demora pode provocar a aplicação de multas de até R$ 600 mil na empresa responsável pelo transporte.
A concessionária, segundo o advogado, exigiu que a empresa assinasse um contrato com uma seguradora para garantir à empresa em caso de lucros cessante ou perdas e danos durante o transporte do equipamento, além de mudanças no itinerário. (Colaborou Lúcio Flávio Moura, de Londrina)





