Liminar é festejada com fogos de artifício
São Paulo, 24 (AE) - Com a queima de fogos de artifícios e aos gritos de "Não, não, nem Pitta nem Mellão" ou "Impunidade não, Pitta e Maluf na prisão", um grupo de manifestantes comemorou, em frente do prédio da Câmara Municipal, o afastamento do prefeito Celso Pitta. Os motoristas que passavam pelo Viaduto Jacareí davam apoio buzinando.
Organizada pelo PT, a manifestação contou com discursos de diretores do Sindicatos dos Trabalhadores da Sabesp e dos Metroviários. O vereador Carmino Pepe (PL) subiu no caminhão de som e discursou, elogiando a decisão da Justiça. Mas preveniu que "o afastamento do prefeito ainda não resolve o problema". "Temos de aprovar a CPI para punir os demais responsáveis pela corrupção", acrescentou.
Momentos antes, às 16h20, o oficial de Justiça Daniel Antunes, da 13.ª Vara da Fazenda Pública, chegou ao prédio da Câmara para notificar o presidente da Casa, vereador Armando Mellão (PMDB), sobre a decisão do juiz Olavo Sá Pereira da Silva. Após a entrega da notificação, Mellão informou que determinou que a decisão de afastamento do prefeito no Diário Oficial do Município, pois "decisão da Justiça não se discute; se cumpre". Mellão não soube informar quando o vice-prefeito Régis de Oliveira tomará posse do cargo de prefeito.
Para o presidente da Câmara, a decisão da Justiça agravou a situação do prefeito, que "já não era boa". Mellão acredita que nem mesmo com a cassação da liminar que determinou o afastamento irá "suavizar a situação de Pitta", pois foi criado um clima favorável para a aprovação do impeachment do prefeito, que será solicitada na terça-feira pela secção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Já o vereador José Eduardo Martins Cardoso (PT), após reunião da bancada do partido na Câmara, elogiou a decisão da Justiça, que comprovou as denúncias feitas pela Imprensa, Ministério Públicos e nas representações encaminhadas por vereadores do PT ao Ministério Público do Estado.
"Às declarações de Nicéa e de seu filho, Victor, somaram-se as provas já existentes", disse Cardoso. "Quero ver agora se as pessoas denunciadas continuarão afirmando que as declarações foram feitas por desequilibrados", acrescentou.
Cardoso e o vereador Carlos Neder, também do (PT), afirmaram que a decisão da Justiça foi baseada em representações que enviaram MPE, denunciando os benefícios conseguidos pelo empresário Jorge Yunes na Prefeitura.
Neder denunciou Yunes, tesoureiro da campanha de Pitta, que teria se aproveitado da Operação Interligada Faria Lima para legalizar uma área na região. Também teria conseguido que a Anhembi Turismo contratasse seus parentes, para trabalhar em sua empresa.
Em agosto de 98, Cardoso entregou representação informando "a existência de fortes indícios de enriquecimento ilícito e de improbidade administrativa na questão do empréstimo de R$ 600 mil feito por Yunes a Pitta".





