Liminar barra trabalho da comissão que investiga Chico Amaral
Liminar barra trabalho da comissão que investiga Chico Amaral17/Mar, 21:37 Por Elizabeth Lopes e Ana Paula Scinocca São Paulo, 17 (AE) - No início da noite, o juiz da 2ª Vara Civil de Campinas, Carlos Miguel Trevisan, concedeu liminar ao prefeito Francisco Amaral (PPB), impedindo que a presidência da Câmara de Vereadores marque a data da sessão para leitura do relatório final do processo que investiga as irregularidades na sua administração. São sete as denúncias que estão sendo investigadas por uma Comissão Processante (CP), entre elas o superfaturamento nos contratos de terceirização da merenda escolar, contratação sem concurso público de 1.200 professores e contratação de funcionários comissionados sem a publicação no Diário Oficial do Município. O relatório final da CP deve ser entregue na segunda-feira. A liminar foi concedida com base em pedido feito pelo advogado do prefeito, Vicente Ottoboni Neto. A defesa alega que houve cerceamento durante as investigações da Comissão Processante. Segundo o relator da CP, vereador Carlos Signorelli (PT), a presidência da Câmara dos Vereadores deve entrar na próxima segunda-feira com um pedido de cassação da liminar. "Estamos em uma sinuca de bico. Se a gente entregar o relatório e não puder marcar a sessão, o processo pode ficar parado. Por outro lado, se não entregarmos, perdemos o prazo", diz. O relatório final da CP deve dar parecer favorável à cassação de Amaral. Porém, o prefeito vem fazendo articulações políticas junto aos vereadores para evitar o impeachment. Caso o processo de impeachment seja votado, Amaral precisa garantir pelo menos oito votos para que não seja cassado. Já a oposição precisa de 14 votos para afastar o pepebista do governo de Campinas. Amaral esteve reunido hoje com um dos maiores especialistas brasileiros na área da advocacia eleitoral e direito municipal, o advogado Tito Costa, que já foi prefeito de São Bernardo do Campo. Costa diz que é "muito curioso" que processos como o de Amaral apareçam com frequência em anos eleitorais. Segundo ele, apenas nessa semana três prefeitos foram ao seu escritório com problemas semelhantes: "Por razões éticas não devo revelar o nome desses clientes, mas posso adiantar que um dos prefeitos é do PSDB e os outros dois são do PPS." Segundo o advogado, a rejeição das contas de alguns prefeitos é motivada por adversários políticos. Ressaltando que o prefeito de Campinas é seu amigo, disse que o processo que poderá resultar no impeachment não está mais na esfera jurídica: "Este problema, agora, é político."





