Lili Carabina ganha a liberdade
Agência Estado
Do Rio
Cerca de 300 presos dos 21 presídios do Rio ganharam um presente de Natal muito especial: a liberdade. Uns foram beneficiados com o indulto de fim de ano (com perdão total da pena); outros tiveram o processo de livramento condicional agilizado. Entre os que comemoraravam o livramento condicional estava Djanira Ramos Suzano, mais conhecida como Lili Carabina, de 56 anos.
Fui condenada a mais de 700 anos de prisão e, agora, posso ir para casa passar as festas com minha família, disse Lili Carabina, que foi personagem de um filme com o nome dela, feito em 1988. Ela foi condenada por vários assaltos e homicídios. Esse é o maior presente do mundo. Ontem, ela caminhava com dificuldades por causa de uma cirurgia.
Representantes da Secretaria de Justiça do Estado, União dos Juristas Católicos (UJC) e Arquidiocese do Rio destacaram o esforço conjunto para soltar os detentos antes do Natal. Houve um mutirão pela liberdade, que coincide com os 2000 anos do nascimento de Cristo, disse o presidente da UJC, José Carlos Murta Ribeiro. Para o cardeal arcebispo do Rio, dom Eugênio Sales, que fez a cerimônia de libertação, os presos que receberam os benefícios precisam agora agir com responsabilidade. Eles não devem reincidir no crime, têm de fazer algo pela sociedade, afirmou.
A detenta Ruth Lançoli, de 28 anos, que estava presa por tráfico de drogas havia dois anos, não conseguiu conter a emoção ao encontrar o marido e o pai. Agora, o que mais quero é ver meus anjinhos, disse, referindo-se aos filhos. Para o preso Wellington Francisco de Freitas, de 35 anos, o dia era de festa. Estou há dez anos sem ver as ruas e nem sei se meus filhos vão me reconhecer, mas, mesmo assim, é muito bom sair da cadeia, contou.
As vagas abertas nos presídios serão preenchidas por detentos trazidos de delegacias, dando continuidade ao projeto da Secretaria de Justiça de esvaziar as carceragens.





