Ligações e depoimentos podem ser elo de Pascoal com PMs do PI
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domingo, 17 de outubro de 1999
Por Edson Luiz 
Brasília, 18 (AE) - Diversas ligações telefônicas realizadas entre novembro de 1996 e janeiro de 1997, além de depoimentos colhidos pela Polícia Federal (PF), podem ser o elo do ex-deputado Hildebrando Pascoal (sem partido-AC) com policiais militares do Piauí. Uma conta telefônica levantada pela PF em 1998 mostrou que, somente no Natal de 1996, o tenente da PM piauiense Baltazar Rodrigues Nogueira fez cinco ligações para a casa e o telefone celular de Pascoal.
Em janeiro de 1997, o ex-deputado fez seis telefonemas para Teresina, além de Avelino Lopes e água Branca, no interior do Piauí.
As ligações antecederam a morte de José Hugo Fonseca Júnior, que havia matado o subtenente Itamar Pascoal, irmão de Pascoal. O corpo de Fonseca Júnior foi encontrado em Formoso do Rio Preto, no limite entre a Bahia e Piauí. Ele foi preso numa fazenda próxima de Corrente (PI) por duas pessoas que se identificaram como policiais federais. Na mesma operação, estavam presentes o tenente Baltazar, então comandante da 7.ª Companhia PM em Avelino Lopes - para onde Pascoal ligou três vezes em 4 de janeiro de 1997 -, e o soldado José Carlos dos Santos Barbosa, mais conhecido como "China".
Na PF, "China" contou que apenas dirigia um dos carros onde estava o grupo, que, além de usar um Fiat, estava numa perua pertencente à PM de Avelino Lopes. "China"contou que o suposto policial federal havia perguntado para Fonseca Júnior por que ele havia matado o irmão (Itamar Pascoal). Como resposta
Fonseca Júnior responde: "Mas deputado, eu não sabia que o homem era seu irmão."
O PM contou à PF que dirigiu o carro onde estava os dois estranhos, junto com Fonseca Júnior. Nas poucas vezes que conversaram, um dos supostos policiais federais afirmou que era do Acre. Ao perguntar sobre o destino da viagem, "China" ouviu como resposta que deveria seguir para uma estrada, em vez de ir para o quartel da PM ou a uma delegacia de polícia. Ao ouvir isso, Fonseca Júnior teria dito ao PM que seguisse para o quartel, uma vez que os dois seriam mortos. Ao ver que "China" ficara amedrontado, um dos homens escontou uma escopeta nas costas dele e disse: "Soldado, não faça besteira."
"China" afirmou na PF que estranhou que Baltazar, que havia participado da operação de captura de Fonseca Júnior, não seguiu junto com os dois homens. Além disso, não recebera nenhuma ordem do oficial para que fosse registrada queixa na delegacia. Além disso, Baltazar, de acordo com o soldado, não recebera nenhum ofício e nem comunicou a prisão para o juiz de Cuminatá (PI), jurisdição a que pertencia.
A ligação de Hildebrando Pascoal e Baltazar, segundo investigações da PF, eram anteriores à morte de Fonseca Júnior. Em 25 de dezembro de 1996, foram feitas seis ligações do tenente para a casa do ex-deputado (uma vez) e para o celular dele (cinco vezes). O telefone de onde partiram as ligações era de Teresina e estava em nome da mulher de Baltazar.
Hildebrando Pascoal também fez, segundo uma conta telefônica conseguida pela PF, outras seis ligações para o Piauí - três delas para Avelino Lopes, duas para a casa do tenentes, em Teresina, e uma de água Branca, provavelmente uma ligação a cobrar, recebida na noite de 20 de outubro de 1996. Uma das ligações para Avelino Lopes durou 22 minutos, outra, 8 minutos e a terceira, 1 minuto. A ligação mais demorada para Teresina durou dez minutos.


