Rio, 29 (AE) - O samba carioca quer exclusividade de seus protagonistas. A partir deste ano a Liga das Escolas de Samba (Liesa), que organiza o desfile do sambódromo (Grupo Especial e Grupo de Acesso A) determinou que os integrantes das comissões de frente, os mestres-salas e porta-bandeiras, os mestres de bateria e os puxadores de samba que saírem em mais de um escola, do Rio ou qualquer outra cidade, estarão suspensos do sambódromo por três anos. A medida, que havia sido cancelada há três anos, passa a valer a partir deste carnaval.
Essa decisão, que não afeta outros participantes do desfile como madrinha da bateria, baianas, destaques, passistas e ritmistas, liberados para desfilar onde e quando quiserem, atingiu o puxador Preto Jóia, que teve que deixar a Imperatriz Leopoldinense por estar cantando na Vai-Vai, de São Paulo. Apesar de a escola paulista sair no sábado e a carioca, na segunda-feira, o presidente da Liesa e patrono da Imperatriz não abriu exceção.
"É uma forma de preservar o investimento que as escolas fazem nos seus principais profissionais", explica o diretor de carnaval da Liesa, Valter Lopes. "Durante todo o ano, eles recebem salários, ensaiam com o grupo e devem estar na sua melhor forma para sair no Grupo Especial, é mais ou menos como acontece com o jogador de futebol, que não deve jogar futevôlei na praia na véspera de uma decisão de seu time." Normalmente, o puxador de uma escola de samba faz shows durante todo o ano, usando o nome da escola a que pertente (às vezes, incorporado a seu nome artístico, como Neguinho da Beija-Flor e Paulinho Mocidade, este atualmente na Imperatriz). O mestre de bateria, quase sempre é formado dentro da escola e, já em março, é disputado a peso de ouro pois prepara a ala mais importante da escola durante o período que separa um carnaval do outro.
Já mestre-sala e porta-bandeira normalmente vêm das escolas de samba mirins, contam pontos preciosos na apuração e também são disputados desde março, embora mudem de agremiação menos do que os mestres de bateria. A comissão de frente, nos últimos anos, se profissionalizou e passou a ser criada por profissionais consagrados de dança, que trabalham desde agosto ou mesmo antes. Avançando na profissionalização, agora eles devem dar exclusividade.