Líderes trabalham para desenhar proposta de paz para Kosovo
Helsinque, 18 (AE-AP) - O enviado especial russo para os Bálcãs, Viktor Chernomyrdin, e altos oficiais americanos e finlandeses passaram o dia de hoje (18) reunidos, em Helsinque, para desenvolver uma proposta de paz para Kosovo.
Um comunicado do Ministério finlandês das Relações Exteriores descreveu a reunião diplomática, que teve duração de sete horas e contou com a participação do presidente da Finlândia, Martti Ahtisaari, e do vice-secretário de Estado americano, Strobe Talbott, além do próprio Chernomyrdin, como "séria e construtiva", mas não acrescentou maiores detalhes.
As conversações ocorrem num momento em que o governo iugoslavo sinaliza seu interesse em negociar um fim para a crise de Kosovo.
Chernomyrdin tem dito que pretende viajar a Belgrado amanhã (19). Mas a continuidade das conversações em Helsinque pode postergar seus planos.
Em Belgrado, o porta-voz do governo iugoslavo, Nebosja Vujovic, afirmou que a Iugoslávia está "aberta" para a proposta de paz elaborada no mês passado pelo G-8, formado pela Rússia e as sete nações mais industrializadas.
O plano proposto pelo G-8 prevê a presença de uma polícia internacional em Kosovo, o que é interpretado pelas potências ocidentais como uma força militar bem armada e liderada pela Otan. A Rússia, ao contrário, não aceita essa interpretação.
A Iugoslávia também discorda da leitura ocidental do plano. Entretanto, caso a Rússia, sua antiga aliada, e a Finlândia, que não é membro da Otan, apoiarem o plano do G-8, isso poderia servir como fator de pressão sobre Belgrado.
Embora não haja detalhes sobre a conversação entre Chernomyrdin, Ahtisaari e Talbott, o enviado russo afirmou, em sua chegada a Helsinque, que "nós estamos aqui para levantar as bases da negociação com Belgrado".
Também hoje, o primeiro-ministro italiano, Massimo DAlema, e o chanceler alemão, Gerhard Schroeder, propuseram uma estratégia de duas frentes para se conseguir a paz em Kosovo: apoiar a inciativa russa-finlandesa; e trabalhar por uma resolução da ONU apoiando os termos de paz da Otan.





