Brasília, 27 (AE) - Os principais líderes da magistratura decidiram hoje suspender a greve nacional dos juízes convocada para amanhã (28). Após reunião no Supremo Tribunal Federal (STF), em que tomaram conhecimento dos termos de liminar concedendo auxílio moradia de até R$ 3 mil, o presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Fernando Tourinho Neto, afirmou que os juízes serão orientados, ainda pela manhã, a comparecer ao trabalho. "Em princípio, não vai haver greve", avisou. "Se parássemos, a sociedade teria grandes prejuízos", acrescentou.
Os líderes dos juízes ressaltaram que a verba autorizada hoje não representa, na verdade, o auxilio-moradia, mas sim remuneração direta. "É salário", disse Tourinho Neto. "O nome auxílio-moradia é para mascarar, mas é uma verba a ser incorporada", explicou. A decisão do Supremo mobilizou representantes das principais entidades ligadas à categoria, que participaram da reunião no STF.
Amanhã pela manhã, todas as associações farão consultas para referendar a decisão dos representantes e declarar oficialmente suspenso o movimento. "Como isso foi uma decisão dos juízes, eles terão de decidir", justificou o presidente da Ajufe. Após mais uma semana de tensão e negociações, Tourinho Neto esbanjava descontração hoje: "Hoje, ainda será difícil falar com todos os juízes porque teve churrasco de domingo e o programa de fim de tarde", comentou, entre risos.
Segundo ele, os juízes ficaram satisfeitos com a liminar do ministro Nelson Jobim, mas não vão desistir da fixação do teto do funcionalismo público em R$ 12,72 mil. "Não perdemos a nossa bandeira", informou. O presidente da Ajufe reafirmou as críticas ao presidente Fernando Henrique Cardoso e ao Congresso. "O teto não agrada ao presidente nem ao Congresso porque a maioria ganha mais do que isso", atacou. "O mais interessado nesse teto é o poder Judiciário."
Ele frisou que a fixação do teto é fundamental para a sociedade brasileira porque "é moralizador e fundamental para que Justiça tenha credibilidade e moralidade". Para o presidente da Ajufe, a atual remuneração dos juízes - baixa, na opinião dele - não atrai os melhores profissionais para o setor e ainda desestimula os magistrados que estão em atividade, que procuram outros postos.
Embora tenham comemorado a decisão do Supremo, os representantes dos magistrados mantiveram hoje discurso pouco conciliador. O presidente da Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho (Anamatra), Gustavo Tadeu Alckmin, endossou a defesa da fixação do teto do funcionalismo e ameaçou com a articulação de uma nova mobilização, caso o teto não seja definido nos próximos meses. Segundo ele, a força demonstrada pela categoria evidencia a intenção do Judiciário de lutar pela medida. "Exigimos a fixação do teto e, se isso não vier a ser solucionado, poderemos retomar a idéia da greve", avisou.