Líderes serão ouvidos sobre ''abusos'' da PM
PUBLICAÇÃO
domingo, 14 de maio de 2000
Luciana Pombo De Curitiba 
Os líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Paraná, Rogério Mauro e Roberto Baggio, serão ouvidos esta semana em Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba. Eles irão prestar esclarecimentos sobre os supostos abusos que teriam ocorrido por parte da Polícia Militar no conflito do último dia 2, na BR-277, perto do Posto Contorno do Sul.
Durante o confronto, mais de cem agricultores e policiais militares ficaram feridos. O sem-terra Antonio Tavares Pereira, de 38 anos, líder do MST em Candói, morreu por hemorragia aguda provocada por disparo de arma de fogo na região da barriga.
Roberto Baggio chegou a ser preso durante o primeiro conflito, que aconteceu por volta das 8h30. O líder do MST foi encaminhado para a Delegacia da Ordem Social, em Curitiba, mas foi liberado. Os dois coordenadores do movimento terão muito o que relatar sobre os abusos ocorridos durante o confronto. Só o ato de cercear o direito de ir e vir já caracteriza abuso de poder, considerou o advogado Darci Frigo, coordenador da Comissão Pastoral da Terra (CPT).
Além de Baggio e Rogério Mauro deverão ainda ser ouvidos outros 20 sem-terra, que já estão no interior do Paraná e devem ser ouvidos por Carta Precatória. Estamos estudando as formas legais para isto, afirmou. O delegado Osmar Antonio Dechiche, responsável pelo inquérito, já ouviu cerca de 150 trabalhadores rurais sem-terra e que dará continuidade as investigações ouvindo agora os acusados.


