Jacarta, 11 (AE-REUTERS) - O líder independentista timorense, Xanana Gusmão - que se encontra sob prisão domiciliar -, reuniu-se hoje (11) pela primeira vez com o chefe da milícia pró- Indonésia, João da Silva Tavares. Os dois opositores concordaram em discutir o futuro do Timor Leste de forma pacífica.
"Este é o nosso primeiro encontro e nós nos comprometemos com a paz", disse Xanana em uma entrevista coletiva realizada depois de uma hora e meia de reunião.
"Fomos inimigos por 23 anos, mas a partir de hoje, depois deste encontro, decidimos desistir de nossas armas", disse, por sua vez, Tavares, que também participou da entrevista.
O anúncio conjunto foi feito em meio a progressos nas negociações realizadas nas Nações Unidas, em Nova York, sobre o futuro do Timor Leste.
As conversações entre Indonésia e Portugal - a ex-colônia do Timor Leste - incluem a até agora vaga oferta de Jacarta para uma autonomia extra. Eles discutem um meio para que os próprios timorenses possam decidir sua sorte.
A Indonésia está resistindo a aceitar a idéia portuguesa de realização de um referendo no território. Para o líder timorense pró-independência e Prêmio Nobel da Paz José Ramos-Horta, a resistência de Jacarta poderá minar qualquer futuro acordo.
Em Jacarta, no entanto, Tavares afirmou que apresentou um plano de paz por escrito a Xanana, o qual ele prometeu estudar.
"Nós concordamos em respeitar um ao outro e parar com a violência, abolir todo o ódio e virar a página", disse Xanana, para depois concluir: "Sim, nós fizemos progresso".
Tavares recusou-se a dizer se as armas de ambos lados seriam entregues às Forças Armadas indonésias. Esta questão, segundo ele, será discutida na próxima fase das conversações.
O encontro entre os dois foi realizado no escritório do diretor-geral do serviço penitenciário da Indonésia, no centro de Jacarta.
Gusmão foi preso em 1992 por liderar um movimento pró- independência. Mas, no mês passado, sob forte pressão internacional, o governo indonésio trasferiu o líder de uma penitenciária para uma prisão domiciliar.
Em Ambon, nas ilhas indonésias de Molucas, a violência religiosa aumentou hoje - com saldo de 10 mortos -, depois que soldados abriram fogo contra grupos de muçulmanos e cristãos rivais que lutavam com lanças, punhais e bombas incendiárias.

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