Líderes querem evitar sensacionalismo na CPI do Sistema Financeiro
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terça-feira, 30 de março de 1999
Por José Ramos e Rosa Costa 
Brasília, 21 (AE) - Os líderes aliados ao Palácio do Planalto querem evitar procedimentos sensacionalistas que possam afastar os investidores estrangeiros, em torno da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que vai investigar o sistema financeiro.
Para o ministro da Fazenda, Pedro Malan, a existência de impacto ou não da CPI na economia "vai depender da maneira pela qual sejam conduzidos os trabalhos no Congresso". Até da parte da oposição, como afirmou o vice-líder do PT, José Eduardo Dutra (SE), há a convicção de que essa comissão e a que vai investigar irregularidades no Poder Judiciário serão "menos incendiárias" do que as que apuraram desvios de recursos no Orçamento da União e o esquema de corrupção que resultou no impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello.
O objetivo dos líderes governistas é o de escolher parlamentares experientes e confiáveis para presidir as duas comissões. O nome mais forte para a presidir a CPI do Poder Judiciário é o do presidente nacional do PFL, senadodr Jorge Bornhausen (SC). Já a CPI do Sistema Financeiro deverá ser presidida pelo senador José Fogaça (PMDB-RS). O bloco da oposição escolheu os representantes para as comissões: na do Judiciário, a representação será feita por Dutra e pelo senadorr Jefferson Péres (PDT-AM). Os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP) e Roberto Saturnino (PSB-RJ) estarão na CPI do Sistema Financeiro.
De acordo com Suplicy, os nomes só serão formalizados depois de o PFL e o PSDB indicarem os representantes e quando não houver mais dúvidas sobre a instalação das duas comissões.
O requerimento do presidente nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), assinado por 45 senadores e não por 70, como o senador havia informado no dia anterior, foi lido hoje em plenário. Amanhã (01), o texto será publicado no "Diário do Senado", encerrando-se aí o primeiro passo para criação da comissão. O outro será a indicação dos 11 titulares e seis suplentes que vão a integrar, na próxima semana.
As articulações para formar as comissões recomeçarão na terça-feira (06). É quando o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), conversará com Barbalho sobre a instalação primeiramente da comissão que propôs. Segundo ele, trata-se de uma questão de lógica, uma vez que a CPI do Poder Judiciário foi criada antes. ACM informou hoje a Suplicy que a impossibilidade em transformar a comissão do sistema financeiro em mista decorre do fato de o requerimento aprovado se referir apenas a membros do Senado. Segundo ele, "se houver deliberação posterior das Mesas (da Câmara e do Senado), o assunto será examinado pelo plenário". Para ACM, o funcionamento simultâneio das duas comissões "não é o ideal, mas também não é o fim do mundo".


