Líderes prestam última homenagem a Hussein
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segunda-feira, 08 de fevereiro de 1999
Por Suleiman al-Khalidi, da Reuters 
Amã, 08 (AE-REUTERS) - Um solitário garanhão branco parado do lado de fora da sala do trono hachemita adicionou uma nota pungente aos vários líderes mundias que prestaram a última homenagem ao rei Hussein da Jordânia.
Enquanto o cavalo preferido do rei permanecia imóvel, os dignatários enfileiraram-se ao lado do caixão de um monarca que reinou e moldou o seu país por 47 anos.
A pompa palaciana mesclou-se à dor íntima da família durante a última jornada do rei, de sua residência nos arredores de Amã para o seu local de descanso eterno nas dependências do palácio.
Líderes internacionais demonstraram seu respeito enquanto os príncipes, com lágrimas nos olhos, consolavam uns aos outros.
O presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, parecia sombrio e triste quando curvou sua cabeça diante do caixão, envolto em duas bandeiras - da dinastia e do país -, guardado por quatro guardas circassianos e voltado para a cidade sagrada de Meca.
O presidente palestino, Yasser Arafat, cuja guerrilha fora expulsa da Jordânia depois de um conflito sangrento com as tropas de Hussein entre 1970 e 71, também saudou o caixão.
O presidente da Síria, Hafez al-Assad, um visitante inesperado que teve uma contenda com o rei ao classificar seu tratado de paz com Israel como a rendição das esperanças árabes, recitou versos sagrados.
Boris Yeltsin, da Rússia, que desafiou ordens médicas para realizar sua primeira visita oficial em seis meses mostrou-se oscilante desde o momento de sua chegada.
Seu ministro das Relações Exteriores, Igor Ivanov, e outros oficiais tiveram que ampará-lo nas escadarias do palácio.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, castigado por Hussein por sua relutância em construir a paz com os palestinos, curvou-se diante do caixão.
Outros dignatários, incluindo o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, realeza européia, emires do Golfo árabe, presidentes e primeiro-ministros chegaram à Amã para dizer adeus ao rei que foi o pivô da procura pela paz - liderada pelos EUA - no Oriente Médio.
Cerca de 75 países estavam representados no funeral.
Quando o último visitante prestou sua homenagem, o caixão foi levado para fora e colocado num carro de guerra decorado com flores. Dalí, partiu para a mesquita real ao som de gaita de foles e uma banda militar.
Oito soldados carregaram o caixão para o cemitério da família hachemita, onde o corpo do rei, envolto numa simples mortalha branca, foi removido e enterrado.
Seu filho mais velho, Abdullah, coroado rei apenas 24 horas antes, prestou um tributo de três minutos de silêncio antes de a laje ser colocada sobre a cova. Neste momento, guardas beduínos iniciaram uma salva de 15 tiros e três jatos da força aérea jordaniana cortaram o céu para um último adeus.
Só então o novo rei, retirado das Forças Armadas há duas semanas para ser apontado sucessor de Hussein, recebeu as condolências dos líderes internacionais. A fila de cumprimentos era tão longa que levou duas horas para que seu último integrante passasse.


