Haia, 12 (AE-AP) - Enquanto o século mais sangrento da história caminha para um final, milhares de pacifistas reuniram-se nesta quarta-feira (12) para promover um século 21 pacífico.
Em uma conferência de quatro dias realizada em meio a uma guerra em Kosovo, representantes de governo, Prêmios Nobel da Paz e funcionários da Organização das Nações Unidas (ONU) discutirão como criar "uma cultura da paz" no novo milênio.
Mais de 8.000 delegados gritavam pela paz enquanto o arcebispo sul-africano Desmond Tutu discursava na sessão de abertura.
"O que nós aprendemos com este século é que os seres humanos são horríveis", afirmou. "Mas se alguém disser que as pessoas são impotentes ou frágeis, diga: Você mente. Nós acabamos com o apartheid."
Entre outros líderes estava o Prêmio Nobel José Ramos-Horta, do Timor Leste, que pediu pelo fim da venda de armas pelos países ocidentais às regiões em desenvolvimento que são palco de conflitos armados.
"Por que gastar em armas bilhões de dólares que podem ser utilizados para alimentar o mundo?", questionou ele. "Os países que foram heroicamente à Sérvia... são os mesmos que forneceram armas para a Indonésia", acrescentou ele em referência aos países da Otan envolvidos nos ataques aéreos que visam a acabar com o conflito em Kosovo.
Muitos outros líderes denunciaram os bombardeios da Otan e pediram o fim das atividades militares nos Bálcãs. Uma contribuição rítmica do grupo musical Sarajevo Drum Orchestra (Orquestra de Percussão de Sarajevo) denunciou os ataques aéreos da Organização do Tratado do Atlântico Norte como "ilegais e horríveis".
No entanto, o ministro de Relações Exteriores da Holanda, Jozias van Aartsen, sublinhou que a Otan continuará com sua campanha "e que (o presidente iugoslavo Slobodan) Milosevic aceitará as condições da Otan".
O secretário-geral da ONU Kofi Annan, a rainha Noor da Jordânia e o norte-irlandês John Hume também discursarão no encontro esta semana.

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