Rio de Janeiro - Líderes do tráfico de drogas em cinco favelas cariocas organizaram ações em vários pontos do Rio com o objetivo de resgatar criminosos presos no presídio Bangu 3, na zona oeste da cidade. Entre 21h30 de anteontem e 1h30 de ontem, grupos organizados em comboios jogaram uma granada em um shopping center da zona sul, atiraram no Palácio Guanabara (sede do governo estadual), balearam três policiais e atiraram em uma delegacia.
Os ataques teriam o objetivo de confundir a polícia, enquanto outro grupo de traficantes esperava do lado de fora da prisão com cinco picapes, os presos que, com o auxílio de explosivos e granadas, tentavam fazer um buraco no muro do presídio para escapar. O plano de resgate dos traficantes Isaías Costa Rodrigues, o Isaías do Borel; Aldair Duarte, o Aldair da Mangueira; Alexander Mendes da Silva, o Polegar, e Rodrigo Barbosa da Silva, o Rolinha, conseguiu ser frustrado pela polícia. Os quatro estão presos em Bangu 3 e são algumas das principais lideranças do Comando Vermelho.
Na manhã de ontem, em Bangu 3, foram apreendidos três fuzis AR-15, duas granadas, cinco pistolas, dois revólveres, além de munição e cinco quilos de explosivos. A polícia também prendeu Adriano Ferreira dos Santos, o Tienea, de 20 anos, que seria o líder do comboio que faria o resgate.
De acordo com o chefe da Polícia Civil do RJ, Zaqueu Teixeira, a polícia tomou conhecimento do plano dos traficantes antes do primeiro turno das eleições. O resgate e as ações criminosas na cidade foram, segundo ele, planejadas em um encontro na favela da Rocinha (São Conrado, zona sul) que reuniu cinco traficantes: Luciano Barbosa da Silva, o Lulu da Rocinha; Evanildo Marcos da Silva, o Dão do morro da Providência (região central); André Anchieta, o Maninho da favela do Jacarezinho (zona norte); Marcio Batista da Silva, o Dinho Porquinho de Manguinhos (zona norte) e Jorge Alexandre Cândido Maria, o Sombra de Vila Kennedy (zona oeste). Nessa ocasião, eles teriam dividido as tarefas.
''Como conhecíamos o plano, mas não sabíamos quando seria colocado em prática, começamos a fazer várias ações no presídio, como buscas de material, de túneis e outras rotas de fuga'', explicou.
O chefe da Polícia Civil afirmou que não poderia responder sobre os armamentos e explosivos encontrados em Bangu 3. ''Isso cabe ao Desipe (Departamento do Sistema Penitenciário) responder'', declarou. Teixeira disse que o plano foi confirmado por Adriano Ferreira dos Santos, preso ontem. ''Ele admitiu que era o líder dessa operação em Bangu 3.''

mockup